Crismas em Gaula: D. Nuno Brás recordou acolhimento e convidou fiéis a redescobrir a força da oração

Foto: Duarte Gomes

A Paróquia de Gaula viveu sábado, 18 de outubro, um momento de grande alegria e comunhão com a celebração do Sacramento do Crisma, presidido por D. Nuno Brás, bispo do Funchal. A igreja encheu-se de fé e emoção para acolher os 22 jovens que, pela imposição das mãos e a unção do Santo Crisma, receberam o dom do Espírito Santo.

Logo no início da celebração, o prelado partilhou uma memória pessoal ligada à comunidade, sublinhando a relação de proximidade e gratidão com os fiéis de Gaula, nomeadamente com aqueles jovens. É que, recordou, “estes que eu vou crismar eram aqueles que estavam no aeroporto. Quando eu cá cheguei, a primeira coisa, como bispo do Funchal, foi ser acolhido por eles. Recordo perfeitamente e tenho uma dívida eterna de gratidão convosco. Muito obrigado.”

Com um tom de simplicidade e humor, D. Nuno acrescentou que “aquilo que eu posso fazer é agora dar-vos o Espírito Santo. Significa que vocês cresceram e que eu fiquei mais velho, não é? Graças a Deus.”

“Rezar é sinal de confiança em Deus”

Na homilia, D. Nuno Brás dirigiu-se especialmente aos crismandos, sublinhando o valor da oração como expressão da relação filial com Deus.

“Às vezes achamos que rezar é coisa de criança. Achamos que gente adulta, gente crescida, já não precisa de falar com Deus. E, no entanto, nós pedimos coisas aos nossos pais enquanto eles existem. E é tão bom pedir coisas aos nossos pais”, vincou a propósito D. Nuno Brás.

O bispo partilhou também um testemunho pessoal:“Graças a Deus, tenho ainda o meu pai, que fez 90 anos. E ainda agora lhe peço coisas. É tão bom pedir e dar coisas aos nossos pais — faz parte da relação entre pais e filhos. Assim também deve ser com Deus.”

“Não tenhamos vergonha de pedir coisas a Deus”, insistiu. “É óbvio que se pedirmos coisas malucas Ele não nos vai dar, isto não é agora o pai que faz todos os caprichos do menino ou da menina”. Mas “pedir mostra quem somos. Mostra que olhamos para Deus verdadeiramente como o nosso Pai e que temos confiança n’Ele, tanta que lhe pedimos coisas e nos colocamos nas suas mãos”.

A oração aguenta o mundo

Com a simplicidade que o caracteriza, D. Nuno recorreu a uma imagem quotidiana para falar da força da oração:“A oração é como aquelas cadeiras antigas, com os pés fininhos. Aparentemente frágeis, mas que aguentam connosco há muitos anos. A oração é muito assim: parece fraca, parece inútil, mas aguenta ela aguenta o mundo”. 

O prelado lembrou ainda a importância da oração comunitária, recordando um episódio vivido em Roma:“Estávamos na Praça de São Pedro quando o Papa convidou todos os cristãos do mundo a rezar o Terço pela Paz. E no dia 13 de outubro foi assinado um Tratado de Paz. Podem dizer que foi coincidência… mas eu acredito que a oração muda o coração das pessoas e transforma o mundo.”

De resto, “Jesus diz-nos para não termos medo de pedir. Mesmo quando parece que Deus se cala, Ele escuta-nos. E quanto mais insistimos, mais nos aproximamos d’Ele.”

“O grande dom de Deus é Ele próprio”

Na parte final da homilia, o bispo diocesano destacou que Deus nem sempre concede o que pedimos, mas dá-nos o essencial — a sua presença. “Ele dá-nos, antes de mais nada, este perceber que está connosco, ao nosso lado. Dá-nos a força e a capacidade para vivermos as situações, mesmo as mais difíceis”, frisou.

O prelado concluiu com um apelo vincando que “devemos pedir e agradecer tudo o que Ele nos concede de bom: a família, os amigos, os sucessos da escola, do desporto, tantas coisas. Sabendo que Ele nos quer dar o seu grande dom, que é Ele próprio — o Espírito Santo.”

Antes de prosseguir com o rito do Crisma, o bispo convidou todos a um momento de recolhimento, “pedindo ao Senhor por todos nós, por esta nossa comunidade e por este mundo que anda tão tolo, tão maluco, tão extraviado. Coloquemo-nos diante do Senhor e digamos: aqui estamos, para aquilo que Ele quiser, como Ele quiser.”

Já o Pe. Alberto Fernandes, pároco de Gaula, agradeceu a presença do prelado e de todos aqueles que tornaram possível este momento tão significativo para a comunidade.

A celebração terminou com expressões de alegria e fé, num ambiente de comunhão. Para a comunidade de Gaula, este foi um dia de festa, gratidão e renovação espiritual, em que o Espírito Santo foi acolhido com entusiasmo pelos novos crismados e por toda a paróquia.