Padre José Luís comemora 25 anos à frente da paróquia de São José

Foto: G.A.

A paróquia de São José, no Funchal, celebrou este sábado, 11 de outubro, os 25 anos de serviço do padre José Luís Rodrigues como pároco. A igreja encheu-se de fiéis para uma Eucaristia festiva que reuniu crianças da catequese, familiares, amigos e muitos paroquianos que quiseram agradecer ao sacerdote o seu testemunho ao longo de um quarto de século.

Na homilia, o padre José Luís falou com a ousadia que o carateriza sobre o valor da liberdade interior e da confiança em Deus. “Deus não quer que vivamos oprimidos, nem com ideias, nem com escrúpulos, nem com o medo de falhar”, afirmou. Defendeu que a fé cristã não é feita de servidão, mas de coragem e autenticidade, lembrando que “Deus quer que lutemos por tudo o que é bom”.

Com humor e sabedoria, partilhou o pensamento de um teólogo afirmando: “se até os santos entram no céu, quanto mais os pecadores”. Para o padre José Luís, esta frase resume bem a misericórdia divina e o caminho de humanidade que todos percorrem. Ser pecador, explicou, é ter a coragem de ser autêntico, de pensar pela própria cabeça e de não ter medo de errar. “Jesus quer que sejamos criativos, que não tenhamos medo de perguntar e de procurar a verdade”, acrescentou.

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Durante a reflexão, o padre José Luís abordou também o papel da escola e da sociedade na formação das novas gerações, lamentando que muitas vezes se ensine apenas a repetir, em vez de questionar. “A escola precisa de rever-se, porque não está a ensinar as crianças e os jovens a fazer perguntas, a ter dúvidas, a questionar o mundo”, observou, incentivando à formação de pessoas livres e pensantes.

O sacerdote advertiu ainda contra o “amor à servidão”, uma expressão que usou para descrever a tendência de aceitar passivamente injustiças e dependências. “A pior coisa é viver rastejando por um favor ou um direito”, afirmou, recordando que o cristão deve ser fiel à verdade e à liberdade. Apelou aos mais novos para que “pensem pela sua cabeça” e valorizem a liberdade como um dom de Deus.

com profunda gratidão, o padre José Luís evocou os anos vividos em São José e o caminho feito com a comunidade. Recordou o cónego Ribeiro, que o acompanhou nos primeiros tempos e já partiu “para o Reino dos Céus”. Disse sentir-se agradecido “pelo passado, entusiasmado com o presente e esperançoso no futuro”. Sublinhou também o desejo de que a paróquia continue a ser “uma igreja de portas abertas e, mais ainda, de coração aberto”, capaz de acolher todos como irmãos, à imagem do apelo do Papa Francisco.

No final da Missa, foi lida e assinada a ata comemorativa pelos representantes da comunidade e pelo próprio padre José Luís, ficando exposta na sacristia como registo deste marco significativo. Seguiu-se um concerto da Orquestra de Bandolins da Madeira, que encantou todos os presentes com um momento musical de grande beleza.

A noite terminou com um convívio no adro da igreja, onde não faltaram abraços, sorrisos e partilhas de memórias, ecoando no coração de todos a mensagem que o próprio sacerdote quis transmitir: viver com liberdade, fidelidade e esperança.