Papa Leão XIV: “o catequista é uma pessoa de palavra” que anuncia com a vida

Na celebração do Jubileu dos Catequistas em Roma foram instituídos 39 novos catequistas, incluindo duas portuguesas.

Foto: Vatican Media

A Praça de São Pedro acolheu no domingo, 28 de setembro, a Eucaristia do Jubileu dos Catequistas, presidida pelo Papa Leão XIV. Perante cerca de cinquenta mil peregrinos vindos de todo o mundo, o Pontífice instituiu 39 novos ministros da catequese, entre os quais duas catequistas portuguesas: Elisabete Silva Nunes, da Diocese de Aveiro, e Rita Alexandra Ortigueira Gonçalves dos Santos, da Paróquia do Algueirão, no Patriarcado de Lisboa.

Na homilia, centrada na parábola do rico e de Lázaro (Lc 16, 19-31), Leão XIV sublinhou que o olhar de Deus revela a realidade humana em profundidade. “As palavras de Jesus falam-nos de como Deus olha para o mundo, em todos os tempos e lugares. Os seus olhos observam: um pobre e um rico; quem morre de fome e quem diante dele se banqueteia”, disse o Papa. E acrescentou: “Lázaro é esquecido por quem está à sua frente, mesmo à porta de casa, no entanto Deus está perto dele e lembra-se do seu nome. Não tem nome, porém, o homem que vive na abundância, porque se perde a si mesmo, esquecendo-se do próximo. Está perdido nos pensamentos do seu coração, cheio de coisas, mas vazio de amor. Os seus bens não o tornam bom”.

O Papa afirmou que esta mensagem continua a ser atual, num mundo marcado pela desigualdade: “Às portas da opulência jaz hoje a miséria de povos inteiros, atormentados pela guerra e pela exploração. Com o passar dos séculos, parece que nada mudou: quantos Lázaros morrem diante da sofreguidão que esquece a justiça, do lucro que espezinha a caridade, da riqueza cega diante da dor dos miseráveis!”

Recordando que Cristo ressuscitado é o centro do anúncio cristão, Leão XIV destacou que “escutar Moisés e os Profetas significa recordar os mandamentos e as promessas de Deus, cuja providência nunca abandona ninguém. O Evangelho anuncia-nos que a vida de todos pode mudar, porque Cristo ressuscitou dos mortos. Este acontecimento é a verdade que nos salva: por isso, deve ser conhecida e anunciada. Mas não basta. Deve ser amada”.

O catequista é uma pessoa de palavra

Dirigindo-se aos catequistas presentes, o Papa explicou a essência da sua missão: “Vós, catequistas, sois aqueles discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas: o nome do ministério que exerceis vem do verbo grego katēchein, que significa instruir de viva voz, fazer ressoar. Isto quer dizer que o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida”.

Leão XIV lembrou que “os primeiros catequistas são os pais, aqueles que primeiro nos falaram e nos ensinaram a falar. Assim como aprendemos a nossa língua materna, também o anúncio da fé não pode ser delegado a outros, mas acontece no lugar onde vivemos. Em primeiro lugar, nas nossas casas, à volta da mesa: quando há uma voz, um gesto, um rosto que conduz a Cristo, a família experimenta a beleza do Evangelho”.

O Papa sublinhou ainda a importância da comunhão eclesial no caminho catequético: “Nesta comunhão, o Catecismo é o ‘instrumento de viagem’ que nos protege do individualismo e das discórdias, porque atesta a fé de toda a Igreja católica. Cada fiel colabora na sua obra pastoral, ouvindo questões, partilhando provações, servindo o desejo de justiça e verdade que habita a consciência humana”.

No final da homilia, Leão XIV recordou que a catequese não se limita à transmissão de conteúdos: “Quando educamos na fé, não damos uma lição, mas plantamos no coração a palavra da vida, para que ela dê frutos de vida boa.” E citou Santo Agostinho: “Expõe tudo de modo que quem te ouça, ouvindo, acredite; acreditando, espere; e esperando, ame”.

O Papa concluiu com um apelo à conversão pessoal e ao compromisso social: “Lembremo-nos: ninguém dá o que não tem. Se o rico do Evangelho tivesse caridade para com Lázaro, teria feito o bem, não só ao pobre, mas também a si mesmo. Quando também nós somos tentados pela ganância e pela indiferença, os muitos Lázaros de hoje recordam-nos a palavra de Jesus, tornando-se para nós uma ainda mais eficaz catequese durante este Jubileu, que é para todos tempo de conversão e perdão, de empenho pela justiça e de busca sincera da paz”.