O fim de semana de 20 e 21 de setembro ficou marcado por momentos de intensa vivência cristã na Diocese do Funchal, com a administração do sacramento do Crisma nas Paróquias do Arco da Calheta (16), no sábado, e no domingo nas comunidades de São Paulo (15) e São João (13), na Ribeira Brava. Jovens destas três comunidades receberam a confirmação da fé, numa celebração presidida pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás, que deixou mensagens fortes de esperança, responsabilidade e compromisso para a vida cristã.
Logo no Arco da Calheta, o prelado destacou a importância de assumir a fé de forma clara e sem ambiguidades. A primeira leitura, explicou, “lembrava-nos que Deus não trata tudo por igual. Para Ele, o bem é bem e o mal é mal. Quantas vezes pensamos que Deus se esquece, ou que fecha os olhos às nossas escolhas. Mas o Senhor garante: nunca esquecerei nenhuma das tuas obras”.
O bispo diocesano reconheceu que a vida nem sempre parece justa, mas recordou a certeza da presença de Deus: “Vemos muitas vezes os maus a viverem bem e os bons a sofrerem. Mas, aos olhos de Deus, nada passa despercebido. O mal continua a ser mal e o bem continua a ser bem. É com esta clareza que devemos orientar a nossa vida”.
Na mesma homilia, D. Nuno Brás reforçou que a salvação é oferecida a todos. São Paulo , lembrou o bispo diocesano “disse-nos que Deus quer que todos se salvem. Todos. Mesmo aqueles que parecem mais distantes, mais complicados, mais indiferentes. Deus não exclui ninguém. Se o Senhor quer que todos se salvem, então nós, como cristãos, temos de colaborar com Ele. Precisamos ajudar os outros a deixar o mal e a abraçar o bem”.
O bispo apelou ainda à responsabilidade pessoal dos crismados: “Não podemos cruzar os braços diante do mal. Não podemos dizer: ‘ele é mau, deixa estar’. Não! Se Deus quer que ele se salve, então eu tenho de arranjar forma de o ajudar a encontrar o bem. Com palavras, com obras, com paciência. Esta é a missão de cada cristão”.
A parábola do administrador desonesto foi outro ponto de reflexão. “Jesus surpreende-nos ao dizer que o patrão elogiou o administrador desonesto. Não porque ele roubou, mas porque foi esperto. E a lição é esta: se somos capazes de tanta criatividade para resolver problemas do dia a dia, também devemos usar essa esperteza para a nossa vida com Deus”, explicou.
D. Nuno Brás deixou um apelo direto aos jovens: “Vocês são rápidos a desenrascar-se no futebol, nos estudos, na vida social. Mas com Deus, muitas vezes, ficam parados, de braços cruzados. Jesus convida-vos a mexer, a pôr os pés ao caminho, a trazer essa mesma energia e imaginação para a fé. Metam Deus ao barulho”.
O bispo lembrou também a urgência de viver a fé no presente: “Quantas vezes adiamos a oração, o compromisso, a reconciliação. Dizemos: amanhã começo. Mas com Deus não é para amanhã. É para hoje, para agora. O Espírito Santo que recebem no Crisma dá-vos força para começar já”.
Já no domingo, nas paróquias de São Paulo e São João, o prelado insistiu nos mesmos temas, reforçando que o Crisma não é apenas um rito de passagem, mas um envio missionário.
“Deus não se esquece das nossas obras, e por isso cada um de nós tem de ser sinal de bem. Mas Deus também deseja a salvação de todos. Isso significa que somos responsáveis uns pelos outros. Ninguém se salva sozinho”, disse a propósito o prelado.
Na paróquia de São Paulo, D. Nuno Brás alertou contra a tentação de viver a fé de forma desligada da vida: “Há quem pense que pode fazer o que quiser porque Deus perdoa tudo. Mas não é assim. O perdão existe, mas não elimina a responsabilidade. O bem é bem e o mal é mal, e cada escolha nossa conta diante de Deus”.
O bispo diocesano convidou os fiéis a usar a sua inteligência e criatividade na vida espiritual: “Se são capazes de fazer cábulas para um exame, de arranjar soluções para problemas complicados, então usem também essa sabedoria para as coisas de Deus. Sejam desenrascados na fé, inventivos no amor, criativos no serviço. O Senhor precisa dessa vossa energia”.
Na paróquia de São João, última etapa das celebrações, o prelado recorreu a uma imagem simbólica: a do “sapo no fundo do poço”. “Há pessoas que vivem toda a vida sem Deus, convencidas de que são felizes, como aquele sapo que achava dominar o mundo sem nunca ter saído do poço. Mas nunca viram a verdadeira luz, nunca descobriram a grandeza da criação. Assim acontece com quem vive sem Deus. É uma vida limitada, fechada, enganadora”.
Com esta metáfora, deixou uma exortação clara: “Não sejam sapos fechados no vosso mundo pequeno. Abram os olhos, contem com Deus, deixem-no transformar a vossa vida. Só com Ele encontramos a verdadeira felicidade e só com Ele conseguimos ajudar os outros a encontrarem o caminho”.
No final, o bispo do Funchal recordou a missão dos crismados, vincando que “o Espírito Santo que recebem hoje não é apenas para vós, mas para a Igreja e para o mundo. Ele dá-vos força para testemunhar, coragem para ser cristãos autênticos e criatividade para anunciar o Evangelho. Deus conta convosco. A diocese conta convosco”.
Em ambas as paróquias os párocos, Pe. José Pascoal de Freitas Gouveia e Pe. João Manuel de Freitas e Sousa (SCJ) de São João e São Paulo respetivamente, agradeceram a disponibilidade do prelado para presidir a estas celebrações vividas com grande participação das comunidades, foram ocasião para renovar a esperança e reforçar a comunhão.
Já D. Nuno Brás concluiu com uma oração de envio: “Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a pôr os pés ao caminho, a não adiar a fé, a viver com entusiasmo e a transformar este mundo com a força de Deus. Que cada um de vós, crismados, seja testemunha fiel do Evangelho”.
Crismas no Arco da Calheta













Crismas na paróquia de São Paulo
















Crismas na paróquia de São João






























