Teve início hoje, em Lisboa, o XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, que decorre até 13 de setembro e reúne os responsáveis da Igreja Católica de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sob o tema “Viver a Paz na Hospitalidade”, o encontro procura aprofundar os laços fraternos entre as Igrejas lusófonas, refletir sobre os desafios pastorais comuns e promover projetos de cooperação ao serviço das comunidades espalhadas pelos quatro continentes.
Na sessão de abertura, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Ornelas, sublinhou a importância de cultivar a comunhão entre as Igrejas que partilham a língua portuguesa, reconhecendo a diversidade de culturas e sensibilidades que as compõem:
“A Igreja fala português como língua da vida, da oração e da missão, em quatro dos cinco continentes. Só este facto merece e carece de encontro, partilha e articulação. É missão das nossas comunidades dar o seu contributo para que cada um ‘escute nas suas próprias línguas’ a Boa-Nova da fraternidade, da paz e da vida.”
Um dos pontos centrais do discurso de D. José Ornelas foi a mobilidade humana. A partir da realidade histórica e cultural que une estes povos, o prelado alertou para as questões associadas aos movimentos migratórios:
“Um elemento que não pode deixar de entrar na nossa reflexão é a mobilidade humana que liga os nossos países, potenciada pelas ligações da história e da língua. Hoje, esta mobilidade é objeto de muita discussão, manipulação e oportunismo, cuja fatura é paga pelos mais débeis, que andam à procura de vida digna para si e as suas famílias. É um tema que não pode passar ao lado das nossas preocupações.”
O presidente da CEP apelou a uma Igreja comprometida com o acompanhamento integral dos migrantes, capaz de estar presente em cada etapa do caminho:
“A Igreja é peregrina por natureza: prepara-se para partir, acompanha os que partem, para que não caiam nas mãos de oportunistas e traficantes, e acolhe aqueles que chegam. Ela tem de ser sempre um laboratório e um viveiro de convivências crioulas que geram novas parcerias e solidariedade humana e samaritana.”
O Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), D. José Manuel Imbamba, sublinhou, por sua vez, o papel essencial da Igreja na promoção da paz e da hospitalidade, defendendo que o encontro seja um espaço de compromisso e ação:
“Com isto queremos dizer que as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem, Igrejas que acolhem e partilham as riquezas infinitas que brotam do amor divino, para que a ninguém falte o alimento necessário para viver na dignidade dos filhos de Deus; pretendem fazer da hospitalidade um caminho indispensável para a promoção da cultura do encontro enriquecedor, do abraço acolhedor, da inclusão dignificante, do diálogo integrativo, da justiça restauradora, do amor renovador e da paz libertadora; pretendem, enfim, testemunhar e mostrar ao mundo que é possível o convívio de culturas, é possível trabalharmos todos por um mundo mais humano, fraterno e multirracial.”
Após a sessão de abertura, os bispos foram recebidos em audiência pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando a relevância do encontro também para o diálogo entre Igreja e sociedade.
Amanhã, 10 de setembro, realiza-se o Colóquio “Fraternidade, novo nome para a Paz”, promovido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação, no Auditório da Rádio Renascença, assinalando os 35 anos da instituição. À tarde, na sede da CEP, decorre uma mesa-redonda com a partilha das atividades dos organismos da Igreja em Portugal, seguida de oração pela paz.
O encontro culmina a 12 de setembro com a apresentação das conclusões e uma conferência de imprensa. Nos dias 12 e 13, os delegados participam ainda nas celebrações do Santuário de Fátima, incluindo a Procissão das Velas e a Missa no Recinto de Oração.
Criado em 1996, o Encontro de Bispos dos Países Lusófonos realiza-se bienalmente e constitui um espaço privilegiado para fortalecer a comunhão eclesial e promover a cooperação pastoral entre Igrejas que, apesar das suas diversidades culturais, partilham uma mesma língua e uma missão comum.

























