Uma viagem maravilhosa da Obra de Santa Zita a Espanha
Dia 16 de Julho, 48 madeirenses embarcaram rumo ao Porto para iniciar uma Peregrinação da Família Blasiana do Funchal a Nª Senhora de Covadonga, nos Picos da Europa em Espanha, e ao Santuário de Fátima (20 de Julho).
Porquê esta Peregrinação destes blasianos? Porque desta forma celebraram-se em família três Jubileus:
– o Jubileu de 2025 (29 de Dezembro de 2024 a 28 de Dezembro de 2025) , Jubileu dos Peregrinos de Esperança, proclamado pelo Papa Francisco;
– o Jubileu de celebração do Centenário da Ordenação Sacerdotal de Monsenhor Joaquim Alves Brás, 19 de Julho de 1925, fundador da Obra de Santa Zita, que por sua vez vem criando várias instituições, formações e serviços, sempre na defesa dos direitos das mulheres, na sua promoção como pessoa, na sua capacitação para melhor serem reconhecidas nas funções que desempenharem e assim assumirem a defesa da sua própria dignidade. De referir o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, mulheres que desde o primeiro dia de criação de actividades com jovens, em regra Mães Solteiras, ou simplesmente violentadas por “patrões”, violentos e malformados, sentiram a necessidade e o chamamento para ajudarem o Pe Alves Brás no desenvolvimento da sua obra. São ainda notáveis o Movimento para um Lar Cristão e o Centro de Cooperação Familiar. Dotar a Família de saberes e motivá-las para a adoptarem comportamentos que as ajudem a fazer crescer os seus dons, criar filhos sãos, ter em suas casas um ambiente de amor e inter-ajuda. Ter os olhos postos na Sagrada Família de Nazaré. “O caminho mais directo para chegar a Deus é o Amor; é este o caminho que vos deixo“. (Pe Alves Brás);
– o Jubileu do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, 25 anos de Bem Fazer às Jovens, às Mulheres e às Famílias.
A Viagem
Posso garantir que a viagem foi maravilhosa, pelo que vimos, pelo ambiente de amizade e alegria, pelo que nos divertimos, pela peregrinação. Por relembrarmos a vida do Monsenhor Alves Brás, que deixou tantas sementes de esperança. E, ficamos sempre bem alojados, comemos bem, em bons restaurantes, tudo bem planeado e a horas.
Um pequeno pormenor que deu conforto a um grupo tão grande e na sua maioria de idosos, um sinal discreto, que achei ser “um verdadeiro ovo de colombo”, foi: de cada vez que entravamos numa sala para comer, mesmo que estivesse com muita gente, rapidamente sabíamos onde eram os nossos lugares. As nossas mesas tinham sempre em cada lugar um pãozinho num prato. Era pois facílimo de identificar e sem perturbações, 50 pessoas sentarem-se calmamente, a gosto. Paralelamente, mal chegávamos a um hotel era de imediato dado ao Guia as chaves dos quartos, que ele distribuía, rapidamente, sem vozes altas e todos se acomodavam sem perdas de tempo.
Este Guia, além de eficaz, atento a tudo e a todos, ao mostrar-nos os monumentos, ao fazer connosco os percursos, demonstrava que “sabia”, que tinha estudado e estava sempre pronto para esclarecimentos, diálogos e aprofundamento histórico. Foi um Guia muito bom.
O que visitámos
No dia 16 fomos até Léon, e aí passámos a manhã do dia 17. Esta é uma cidade que entronca com a Fundação de Portugal, capital do antigo Reino de Léon. É banhada pelo rio Betesga, sendo muito bonita, muito cuidada, um prazer vê-la. Apesar do muito calor, temos uma sensação de frescura. A visita à magnifica catedral, gótica, foi estonteante. Reconhecida como tendo os mais belos vitrais do mundo, enquadrados por uma estrutura de pedra maravilhosa, uma perfeita renda arquitectónica. A luz enche o monumento, oferecendo-nos constantemente diferentes e belas imagens. O exterior da catedral é igualmente impressionante. Poderoso.
À tarde fomos rumo a Covadonga, por uma zona de grandes montanhas e floresta, muito verde, por uma das estradas com mais curvas que já conheci. Mas, o motorista era óptimo. Ninguém enjoou. Chegámos à entrada dos Picos da Europa, junto a uma grande escadaria que dá acesso à Cova Sagrada, onde, segundo reza a lenda, mesmo antes da povoação daquele território, um dos primeiros homens que ali chegou, encontrou na Cova a imagem de Nª Senhora. Desde então a Virgem é visitada, protege e ouve aqueles que ali vão. E são muitos. O Papa João Paulo II, foi o primeiro Papa a visitar este Santuário. Na Cueva está ainda o túmulo do Rei Pelayo, fundador do Reino das Astúrias, que se considera ter iniciado a conquista da Península Ibérica aos mouros (séc. VIII).
Dia 18, já em Oviedo, fizemos uma breve visita à cidade, que tem a cor do âmbar, a cor da antiguidade, com prédios, ruas e praças muito bem conservados. Fomos então à sua catedral gótica, uma das 5 mais belas de Espanha, com ricos altares barrocos e renascentistas, que os seus habitantes cobriram a ouro puro, oferecendo a Deus o melhor que tinham e conheciam. Daqui fomos para Zamora.
Dia 19, depois de uma breve visita a Zamora saímos para Salamanca, a bela cidade universitária de Espanha, cuja prestigiada universidade foi criada em 1218. Nesta linda cidade visitámos as duas antigas Catedrais, a Casa das Conchas, a Praça Maior. Daqui partimos para Fátima, onde rezámos o terço e participámos na Procissão das Velas. A presença da nossa Peregrinação foi assinalada aos peregrinos de Fátima pelas Autoridades Eclesiásticas.
Dia 20, de manhã, participação nas cerimónias do Santuário. Logo após o almoço fomos à Festa de encerramento do Jubileu do Venerável Padre Brás. O espectáculo, a que assistimos, foi preparado, durante três anos, por diferentes grupos das instituições da Obra de Stª Zita e Cooperadoras, tendo resultado numa Festa, onde se sentia o forte envolvimento dos Blasianos, a alegria, o entusiasmo e verdadeiro Amor, que a todos une. Na plateia centenas de Blasianos, vindos de todo o País, assistiram e participaram activamente com as “deixas” que lhes eram propostas pelos “actores” do palco. E felizes, imbuídos desse estado de espírito, regressámos a Lisboa e à Madeira.
A Maria Marques Antunes, organizadora desta Peregrinação
A Maria veio para a Madeira em 1991, altura em que as Cooperadoras colaboraram intensamente no Projecto de Luta Contra a Pobreza, “A Caminho do Futuro”, de Câmara de Lobos. Guardamos laços de grande amizade com ela, com a Salette, com a Maria Adozinda e todas as outras. Mas agora é da Maria que queremos falar, pois apesar de estar no Porto a sua amizade, o seu dinamismo, a sua capacidade de “ouvir, formar e agir” tem feito com que os Blasianos continuem a existir, a crescer e a trabalhar na Madeira.
As formações que as Cooperadoras deram, fizeram surgir pessoas que sabem trabalhar na mobilização dos outros, das famílias, das comunidades. Não fazem mais, nem são mais visíveis porque precisavam de um enquadramento mais estruturado. A Célia é uma das suas ex-alunas que sabe ter a mesma alegria, o mesmo amor e competência na organização, que sabe aplicar e desenvolveu o que aprendeu na formação que teve com as Cooperadoras, no Funchal, na Nazaré.
A Maria programa estas viagens ao mais ínfimo pormenor: itinerário, circuitos, horários, documentação, oração, músicas, divertimentos que propõe aos viajantes durante a viagem e muito mais. È uma líder com quem todos se sentem felizes, seguros, que sabe agir nas ocasiões difíceis com a rapidez e calma que se imponham, com a participação de todos. Ela e a Célia formam um par que trabalha sempre em harmonia, com o mesmo ritmo e entusiasmo. Durante a viagem ouvimos testemunhos de vida, que as pessoas quiseram dar, lindos e tocantes, que nos fazem ter presente o que o Pe Brás decidiu na sua ordenação: “Dedicar a sua vida a Deus e pôr em prática os ensinamentos de Jesus”.
No fim, no momento da despedida no aeroporto de Lisboa, ouviam-se sempre as mesmas palavras: “Maria, conte connosco. Para o ano eu volto também”. “Maria estamos com a Obra de Santa Zita”.
O amor que a Maria põe naquilo que faz e aos Outros, é único. E os Madeirenses sentem e procuram retribuir. Obrigados, Maria e Célia, gostámos muito, foi muito bom.
Nazaré Alegra


















