Não invocarás o nome de Deus em vão 

D.R.

Os nossos antepassados habituaram-nos a viver com Deus sempre presente. Isso para eles era claro: Deus não era um ausente, distante, a morar nos céus, à espera que o ser humano cometesse um qualquer deslize para o castigar. Pelo contrário: era o Deus misericordioso de que nos falam os evangelhos, e cujo rosto Jesus nos mostrou como Pai misericordioso. Era o Deus que estava ali, presente não só na vida e na morte, mas em todos os momentos, na alegria e no sofrimento, ou no simples dia a dia.

Por isso, também se vivia no “temor de Deus”, um dos dons do Espírito Santo: estar constantemente na presença de tão alto e ilustre Pai, faz-nos tremer e faz-nos temer que O possamos ofender, por muito que tenhamos a ousadia dos filhos — qualidade que usamos sem merecer, recordemos!

E nós, herdeiros desses grandes homens e mulheres de fé, habituámo-nos a viver no seio de todas essas manifestações de amor e de resposta a Deus. Mas deixámos, também, enfraquecer a fé. O nome de Deus sai espontaneamente da nossa boca: desde o “adeus”, ao “Deus queira que”. Mas fomos perdendo a fé que dava conteúdo a todas essas invocações. Falamos em Deus, mas pensamos nas nossas forças. Até porque, no quotidiano, vivemos como se Ele não existisse.

Isso significa que passamos o dia a invocar em vão o santo nome de Deus, ao contrário do que nos indica o mandamento.

Claro que a questão não é eliminar a invocação de Deus, que sempre nos recorda a sua companhia e misericórdia, mas dar-lhe verdadeiro e efectivo conteúdo de fé. Deus em nada diminui o ser humano e as suas conquistas. Pelo contrário: o passado século XX mostra bem que apenas com Deus o ser humano pode ser grande, enorme. Continuemos a invocar o seu nome, mas não O invoquemos em vão!