Fátima: D. Sérgio Dinis desafia peregrinos a viver a fé com responsabilidade, proximidade e esperança

Foto: Santuário de Fátima

O Santuário de Fátima acolheu, nos dias 12 e 13 de julho, a Peregrinação Internacional Aniversária, evocando a terceira aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, ocorrida a 13 de julho de 1917. Com a presença de cerca de 20 mil peregrinos, vindos de quatro continentes, as celebrações foram presididas por D. Sérgio Dinis, bispo das Forças Armadas e de Segurança, que deixou um forte apelo à oração comprometida, à justiça social e ao testemunho cristão.

Na noite de 12 de julho, perante a moldura humana que iluminava a Cova da Iria à luz das velas, D. Sérgio Dinis afirmou que “em Fátima, aprendemos que a oração é inseparável da responsabilidade”. Recordando que Maria não veio alimentar medos, mas fortalecer a coragem, sublinhou: “A paz que Maria nos pede não é simples ausência de guerra; é fruto de vidas reconciliadas, de sociedades justas, de comunidades onde se vive o Evangelho”.

Ao recordar a saudação do Anjo a Maria e o “sim” que mudou a história da humanidade, o prelado apelou a uma fé encarnada na vida concreta: “O terço que rezamos deve ser como a harpa de David: louvor a Deus, mas também denúncia do mal e desejo ardente de justiça e de paz.” E reforçou: “Os corações convertidos que Maria deseja são corações lutadores, inquietos, que não se resignam diante da indiferença, mas que se movem para consolar, para perdoar, para transformar”.

Dirigindo-se aos peregrinos, apresentou cinco compromissos para uma vivência autêntica da fé:

  1. Não permanecer indiferentes à pobreza escondida dos vizinhos;
  2. Promover o respeito pela dignidade de todos nas famílias;
  3. Rejeitar a mentira, o favorecimento, a exploração e a indiferença na vida pública e profissional;
  4. Combater a exclusão, o preconceito e a arrogância espiritual nas comunidades cristãs;
  5. Ser voz ativa na construção de uma sociedade mais justa.

Na manhã seguinte, a 13 de julho, durante a Missa conclusiva no Recinto de Oração, D. Sérgio Dinis apontou três atitudes essenciais para “viver já a Vida Eterna”: escutar a Palavra de Deus, aproximar-se dos que sofrem e rezar com simplicidade. “Escuta a Palavra de Deus todos os dias… Alimenta-te dela, porque são palavras de Vida Eterna. Faz-te próximo de alguém que sofre, que está sozinho. Reza com Maria, com o terço. Deixa que ela te leve pela mão”, exortou.

A partir da parábola do Bom Samaritano, evocada na liturgia do XV Domingo do Tempo Comum, o presidente da celebração explicou que amar “não é uma teoria espiritual”, mas uma ação concreta: “Talvez um familiar esquecido, um vizinho idoso, um amigo perdido. Não passes ao lado. Não sejas como o sacerdote ou o levita. Vai e faz como o samaritano: aproxima-te e cuida dele”.

D. Sérgio lembrou ainda que a esperança cristã “não é uma ingenuidade”: “Não ignora a dor, nem fecha os olhos ao sofrimento do mundo. Mas tem raízes firmes. Nasce da certeza de que Deus nos ama até ao fim. De que Cristo venceu a morte”.

No final das celebrações, D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, agradeceu a presença de D. Sérgio Dinis e a sua “mensagem de esperança”, deixando um apelo ao acolhimento dos migrantes e à construção de uma sociedade humanizada, baseada na justiça: “É necessário não cair na ratoeira dos medos instrumentalizados, nem dos preconceitos manipulados. É preciso colocar a atenção primeira no bem do acolher, com justiça, com dignidade”.

A Peregrinação contou com a participação de 63 grupos organizados, oriundos da Europa, América, África e Ásia, destacando-se a presença de peregrinos da Polónia, Itália e Espanha. Como de costume, a imagem de Nossa Senhora regressou à Capelinha das Aparições sob o silêncio orante dos fiéis, que rezaram pela paz na Palestina e na Ucrânia.