Papa Leão XIV apela a “revolução do cuidado” para combater solidão dos idosos

Imagem: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

O Papa Leão XIV publicou esta quinta-feira, 10 de julho, a sua mensagem para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que a Igreja Católica celebra no próximo dia 27 de julho. No documento, o pontífice denuncia a crescente marginalização dos mais velhos e pede uma verdadeira “mudança de atitude” por parte da Igreja e da sociedade.

“Em todas as partes do mundo, as nossas sociedades estão a habituar-se, com demasiada frequência, a deixar que uma parte tão importante e rica do seu tecido social seja marginalizada e esquecida”, alerta o Papa, sublinhando que os idosos continuam a ser frequentemente entregues à solidão e ao abandono.

A mensagem, intitulada “Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança” (cf. Sir 14,2), insere-se no contexto do Ano Santo de 2025 e apresenta os idosos como “testemunhas da esperança”. Leão XIV evoca figuras bíblicas como Abraão, Sara, Moisés ou Zacarias, para lembrar que, aos olhos de Deus, “a velhice é um tempo de bênção e graça”.

O Papa reforça que “a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias”, e que a presença dos idosos constitui uma ponte viva entre gerações. “Quantas vezes os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações”, recorda.

Na perspetiva jubilar, o Santo Padre propõe que este seja um tempo de libertação, também para os idosos: “Olhando para os idosos nesta perspetiva, também nós somos chamados a viver com eles uma libertação, sobretudo da solidão e do abandono”.

Leão XIV convida todas as comunidades cristãs a envolverem-se ativamente. “Cada paróquia, associação ou grupo eclesial é chamado a tornar-se protagonista da ‘revolução’ da gratidão e do cuidado”, através de visitas regulares, redes de apoio e oração, promovendo relações capazes de restaurar a dignidade e a esperança dos mais velhos.

O Papa recorda ainda que, no âmbito do Jubileu, os fiéis poderão obter indulgência plenária visitando um idoso em situação de solidão, caso não possam participar na peregrinação a Roma. “Visitar um idoso é um modo de encontrar Jesus, que nos liberta da indiferença e da solidão”, lê-se na mensagem.

Dirigindo-se diretamente aos idosos, Leão XIV sublinha que a esperança não desaparece com a idade. “Nada nos pode impedir de amar, de rezar, de nos doarmos, de sermos uns pelos outros, na fé, sinais luminosos de esperança.” E conclui com um apelo à perseverança na fé, à participação na Missa e à partilha do testemunho cristão: “Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades”.

A celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi instituída em 2021 pelo Papa Francisco e ocorre todos os anos no quarto domingo de julho, próximo da festa litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus. O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida disponibilizou um conjunto de materiais pastorais para apoiar a celebração nas dioceses e paróquias.