Foi convidado para orientar mais um retiro do clero na Diocese do Funchal, convite que aceitou “com boa vontade”. Num momento de profunda reflexão sobre a sociedade contemporânea, a Igreja, e o papel do ser humano face aos grandes desafios, D. Manuel Clemente oferece-nos uma conversa plena de humanidade, lucidez e espírito evangélico. Com simplicidade e profundidade, falou ao Jornal da Madeira sobre a sua experiência a presidir retiros, a escolha de temas espirituais fundamentais, os desafios éticos da vida e da morte, o drama das guerras, a pobreza e o futuro das sociedades. “A guerra é hoje um risco global. O potencial destrutivo é enorme, e o medo é o que evita a catástrofe. Mas não pode ser o medo a garantir a paz”, afirmou, sublinhando que “a paz exige investimento em desenvolvimento humano”.
Numa sociedade com tantos desafios, D. Manuel Clemente lembra-nos que é no coração humano que tudo se decide. Que cada gesto de cuidado, cada palavra de esperança e cada ato de solidariedade são sinais vivos de uma humanidade renovada. “Há recursos para resolver a fome e as necessidades humanas. Por que não se resolve?”, questiona, com a mesma serenidade com que denuncia as desigualdades estruturais. E lembra, com palavras de São Paulo VI, que “o desenvolvimento é o novo nome da paz”, e acrescenta, “E esse desenvolvimento é integral: educação, saúde, condições dignas de vida”.
Para o cardeal, o papel da Igreja é continuar a ser farol, guia e voz ativa num mundo sedento de sentido.



















