Na manhã desta quinta-feira, 26 de junho, a Basílica de São Pedro acolheu uma celebração eucarística no contexto do Jubileu dos Sacerdotes, presidida pelo cardeal Lazzaro You Heung-sik, prefeito do Dicastério para o Clero. Concelebraram com ele mais de seis mil padres provenientes de todo o mundo, reunidos em Roma como peregrinos de esperança no Ano Santo.
Num clima de profunda comunhão, o cardeal sul-coreano convidou os presbíteros presentes a redescobrirem a beleza da vocação sacerdotal à luz da amizade com Cristo, sublinhando três dimensões essenciais deste caminho: “deixar-se chamar, deixar-se formar, deixar-se enviar”.
Referindo-se ao Evangelho de São Lucas, o cardeal evocou o momento em que Jesus sobe à barca de Pedro, precisamente na hora da desilusão: “Quantas vezes também nós nos encontramos nessa noite, esgotados, talvez tentados a desistir… E, ainda assim, é precisamente ali que o Senhor nos diz: ‘Avança para águas mais profundas’”. Para o purpurado, a vocação não nasce de um currículo, mas de um encontro: “Jesus não nos chama porque somos perfeitos, mas porque somos seus amigos. Toda chamada é, antes de tudo, um abraço que nos diz: ‘Não temas; de agora em diante serás pescador de homens’”.
A formação sacerdotal foi apresentada como um processo contínuo e integral: “Um sacerdote não é formado apenas para saber, mas sobretudo para amar como Cristo, com os seus sentimentos e o seu coração”, destacou o cardeal, apelando a uma formação que abranja também a dimensão espiritual e afectiva. E acrescentou: “Formar-se é deixar-se moldar todos os dias, durante toda a vida”.
Outro momento do percurso vocacional apontado por Lazzaro You é o envio, marcado pela gratuidade e pela entrega: “Não somos enviados para conservar, mas para nos darmos, todos os dias, com liberdade e alegria. O sacerdote deve ser um homem da alegria. Mesmo nas provações, o seu sorriso abre o coração de muitos ao Evangelho”.


Contextualizando a celebração no Ano Santo de 2025, o cardeal definiu o ministério sacerdotal como uma “obra de esperança”, chamada a testemunhar Cristo no quotidiano “com gestos simples, com paciência, com uma palavra que salva e um olhar que abençoa”.
Na parte final da homilia, Lazzaro You insistiu na dimensão comunitária do sacerdócio: “Somos chamados a ser homens da comunhão e do diálogo. A nossa é uma ‘obra colectiva’, com uma forma radicalmente comunitária. Para gerar a família de Deus, temos de ser antes de tudo irmãos entre nós e em unidade com o bispo”.
A concluir, confiou todos os sacerdotes à protecção de Maria, Mãe dos Sacerdotes e da Esperança, pedindo-lhe a graça de renovar diariamente o “sim” vocacional, mesmo nos momentos difíceis: “Caminhemos juntos, semeando esperança, construindo fraternidade e vivendo com alegria a graça de sermos amigos do Senhor, irmãos entre nós e servidores do seu povo”.






















