Marcas de eternidade

D.R.

No dia em que me despedi de uma das minhas escolas, pensei marcar, para sempre, a minha passagem por ali: numa das árvores do recreio, sem que ninguém desse por isso, gravei o meu nome.

No ano seguinte, voltei lá. Logo que me foi possível, fui verificar o memorial. A árvore lá continuava, frondosa como antes. O ramo ainda lá estava, um pouco maior, mas o nome tinha desaparecido. Um ano tinha sido suficiente para que desaparecesse aquilo que eu julgava ser uma marca de eternidade! 

Os seres humanos trazem todos consigo uma sede enorme de eternidade. Não nos bastam os poucos momentos transitórios deste viver por aqui, mesmo que sejam muitos. Necessitamos de mais, de muito mais. Por isso, muitos são aqueles que procuram que a sua memória permaneça através de coisas, monumentos, obras… julgando que, desse modo, se libertam da lei da morte.

É interessante que muitos artistas da antiguidade não tenham assinado as suas obras: não sabemos o nome do seu autor. É assim que, por exemplo, desconhecemos quem são os autores de tantos ícones magníficos, ou os autores das melodias do canto gregoriano. Eles perceberam que a memória dos homens passa. Basta olhar os nossos cemitérios, cheios de mausoléus de importantes desconhecidos. A nós, cristãos, basta-nos a certeza de viver para sempre com Deus e em Deus (Aquele que jamais passará). É nele — e só nele — que as nossas obras e toda a nossa vida há-de permanecer para sempre.