No passado dia 17 de maio celebrámos o centenário da canonização de Santa Teresa do Menino Jesus. A sua vida e os seus escritos, principalmente o livro autobiográfico “História de uma alma”, continua a inspirar muitos cristãos em todo o mundo. A sua confiança radical em Deus, expressa na célebre frase “Tudo é graça”, permanece como farol para quem busca sentido no meio dos desafios do nosso tempo.
Um episódio marcante da sua juventude mostra bem o seu ardor espiritual. Em 1887, durante uma peregrinação da diocese de Lisieux a Roma, Teresa, com apenas 15 anos, dirige-se diretamente ao Papa Leão XIII para lhe pedir autorização para entrar no Carmelo antes da idade permitida. Com um misto de surpresa e ternura, o Papa respondeu: “Vamos, vamos, se Deus quiser, entrarás.” Ele não imaginava que aquela jovem simples se tornaria uma das figuras espirituais mais influentes da Igreja.
Ao longo do século XX, todos os Papas se deixaram tocar pela sua mensagem. Pio X chamou-lhe “a maior santa dos tempos modernos”, marcado pelos seus textos, como a carta à prima onde Teresa exorta à comunhão frequente: “Jesus está no tabernáculo expressamente para ti, para ti só, arde com o desejo de entrar no teu coração (…). Comunga muitas vezes, muitas vezes. É esse o único remédio se queres curar-te”.
Bento XV foi o primeiro a falar da sua “infância espiritual”, entendida como total confiança e abandono em Deus. Pio XI acelerou a sua beatificação e canonização, proclamando-a padroeira das missões, apenas dois anos depois. João XXIII evocou uma bela imagem do porto de Constantinopla para falar da sua missão: como um pequeno barco que leva a carga dos grandes navios até ao cais, Santa Teresinha ajuda-nos a chegar ao porto seguro de Deus.
Em 1997, João Paulo II reconheceu a profundidade da sua doutrina e proclamou-a Doutora da Igreja, colocando-a entre os grandes mestres espirituais do Cristianismo.
O centenário da sua canonização é, portanto, um convite e uma oportunidade para redescobrir uma vida que, na sua pequenez, continua a revelar a grandeza do amor de Deus.























