Mãos ungidas

Foto: G.A.

Um dos momentos mais marcantes na vida de um sacerdote é, sem dúvida, a sua ordenação e a celebração da Missa Nova. São ocasiões repletas de beleza e espiritualidade, em que se toca o mistério e se experimenta, de forma concreta e sensível, a ação de Deus na vida da Igreja e no coração do mundo.

No passado fim de semana, vivi com emoção redobrada e profundo assombro a ordenação e a Missa Nova do meu irmão, Tiago. O Senhor voltou a bater à porta da nossa família e, ao olhar para o filho mais novo, chamou-o: “Vem e segue-Me.” Ele, com generosidade e coragem, deixou tudo e respondeu com um “sim” total ao chamamento de Cristo.

Entre tantos momentos comoventes da sua ordenação, impressionou-me o gesto da imposição das mãos, primeiro pelo bispo, depois por todos os sacerdotes concelebrantes. Um gesto carregado de sentido: sinal da continuidade apostólica, da transmissão do carisma e do envio em missão. Como escreveu São Paulo a Timóteo: “Não descuides o dom que há em ti, que te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério”.

Logo após a oração de ordenação, dá-se outro rito de grande simbolismo: a unção das mãos com o óleo do crisma. Mãos consagradas para oferecer o sacrifício do altar, perdoar os pecados, ungir os doentes, abençoar o povo de Deus e acolher os mais frágeis. Mãos que, ungidas e abençoadas, se tornam altar vivo e sinal visível da presença de Cristo Servo.

Na Missa Nova, um momento de particular intensidade foi quando o novo sacerdote tomou nas mãos a patena com o pão e o cálice com o vinho, e pronunciou, pela primeira vez, as palavras da consagração: “Isto é o meu Corpo… este é o cálice do meu Sangue.” Presença real e viva do Senhor entre nós.

Após a Eucaristia, realizou-se um gesto que muito me comoveu: o chamado “beija-mão”. Não se trata de uma homenagem pessoal, mas de um sinal de reconhecimento pelo dom do sacerdócio, expressão da misericórdia de Cristo que se manifesta através do ministério do padre.

Celebrar a ordenação do meu irmão foi celebrar a presença viva de Deus que continua a chamar, e a resposta generosa de quem entrega, com todo o coração, a sua vida ao serviço do Evangelho.