Este sábado, dia 22 de março, na Eucaristia das 17:30 horas, da Igreja do Colégio, a Cáritas Diocesana do Funchal vai encerrar a Semana Nacional, que este ano teve como lema “Envolva-se, nem sabe o bem que sabe”. Neste dia, a instituição volta a homenagear uma figura e uma entidade que, no entender da sua direção, foram e são fundamentais para a instituição.
Uma dessas figuras é Maria Céu Gonçalves, voluntária desde 1999, benemérita e secretária da direção desde 2009. A entidade é o Comando da Zona Militar da Madeira, representado pelo seu Comandante, o Brigadeiro-General Jorge Pedro, por toda a colaboração e disponibilidade ao longo de 43 anos de atividade.
Comando da Zona Militar da Madeira
Jornal da Madeira – Como encaram esta homenagem da Cáritas do Comando da Zona Militar da Madeira?
Brigadeiro-General Jorge Pedro – Esta homenagem acaba por ser, para nós, uma forma muito simpática de reconhecer a colaboração que nós temos tido com a Cáritas Diocesana. Essa colaboração não procura qualquer reconhecimento, mas esse reconhecimento para nós militares é muito bem-vindo e é um motivo de alegria para todos. Como disse e bem o reconhecimento é ao Comando da Zona de cujos meios nós temos feito uso, designadamente do Regimento de Guarnição n.º 3 (RG3) e da Unidade de Apoio, nessa ajuda que prestamos. Este reconhecimento é para todos os militares que têm colaborado mais diretamente com a Cáritas Diocesana e vem reforçar aquele compromisso que o Exército tem de apoiar as entidades locais, designadamente no que diz respeito àqueles que mais necessitam. Por isso, voltando ao início, é com muito orgulho que vemos este reconhecimento feito de forma pública através desse louvor.

Esse apoio tem assumido várias formas…
Sim. Dentro da Unidade de Apoio, temos realizado, por exemplo, vários concertos através da Banda Militar da Madeira, que é uma unidade que fez parte da Unidade de Apoio. Esses concertos, cujo mais visível decorre na Sé, por ocasião do Natal, visam a angariação de fundos.
Depois há todo um trabalho no terreno, mais visível aquando de algumas situações nomeadamente de calamidade como foi, por exemplo, o 20 de fevereiro…
Sim apoiamos nessas calamidades é verdade, mas também nas situações do dia a dia em que nos é solicitado um apoio designadamente de transporte de materiais ou de militares para movimentarem materiais de um sítio para o outro.
“é com muito orgulho que vemos este reconhecimento feito de forma pública através desse louvor”.
É um apoio que já dura há vários anos e que é para continuar?
É um apoio que já dura há alguns anos e que não está planeado terminar, porque para nós é muito gratificante e vamos mantê-lo dentro das nossas possibilidades e sem prazo. De resto, faz parte da nossa missão apoiar as entidades locais, designadamente aquelas que mais necessitam. É um facto que a nossa missão principal é prepararmo-nos para a guerra, não tenho dúvidas disso, mas temos também uma missão de apoio às entidades locais e nesse aspeto quer a Cáritas quer outras instituições de solidariedade social podem contar com o nosso apoio, sempre dentro das nossas possibilidades, sempre que elas necessitem.
Maria do Céu Gonçalves, voluntária há 26 anos
Jornal da Madeira – Como é que nasce a sua ligação à Cáritas do Funchal?
Maria do Céu Gonçalves – Entrei para a Cáritas a convite da anterior direção. Depois de 30 anos ligada à Segurança Social, aposentei-me com 50 anos. Entretanto estive ligada ao serviço social, através de um gabinete de relações públicas. Depois vim para a Madeira e como estava habituada a trabalhar, não conseguia estar sem fazer nada. Fui então que me candidatei a voluntária da Cruz Vermelha, onde ainda continuo também, mas neste momento dou mais apoio à Cáritas, onde já estou desde janeiro de 1999.
Esse voluntariado foi feito, digamos assim, em vários departamentos…

Sim, é verdade. Quando eu fui para a Cáritas fui para organizar o sistema de entrega de roupas. Fui colaborando também na elaboração dos cabazes, em coisas que fazíamos para vendas nos chás que eram organizados, fui colaborando e estando ali até que em 2009 fui convidada para ir para a direção, onde me mantenho até agora, como secretária, mas também faço atendimento social e ajudo no que for preciso.
Também é uma das beneméritas da instituição…
Sim, é verdade, quando posso também ajudo, como ajudo no armazém quando há recolha de alimentos, como aconteceu no fim de semana passado. Vou procurando ser útil no que é preciso…
É uma colaboração para continuar?
Ainda faltam 3 anos para acabar este mandato como secretária da Direção. Penso que nessa altura vou acabar por sair. Já tenho 82 anos… Não sei, vamos ver, porque eu gosto de atender as pessoas. Ainda há dias estava a atender uma senhora que me dizia: Eu venho cheia de problemas chego aqui começo a conversar com a senhora e fico calma. É assim. As pessoas gostam de conversar comigo, não desfazendo na restante equipa que é toda ela fantástica, desde a direção aos restantes colaboradores. Estão todos dispostos a dar de si aos outros é tudo boa gente.
“Mas a verdade é que eu gosto de ajudar. De resto, estou na Madeira há 20 e tal anos e não tenho feito outra coisa”.
Como vê esta distinção que lhe vai ser atribuída?
Sinceramente, apesar de ter um curso de relações publicas, sou um bocado introvertida para falar em público. Eu até disse ao presidente que devia ser uma distinção pela idade, mas ele disse que não que era por todo o trabalho que eu tenho feito. Mas a verdade é que eu gosto de ajudar. De resto, estou na Madeira há 20 e tal anos e não tenho feito outra coisa.























