Não há Igreja sem cristianismo. Claro que é possível fazer o bem sem ser cristão; claro que é possível criar uma associação de ajuda ao próximo sem qualquer referência a Jesus. Todos conhecemos pessoas boas que vivem o drama de não terem fé, tal como conhecemos instituições em que tantos se reúnem sem uma referência directa e clara a Deus.
Mas isso não é a Igreja. “A minha Igreja” — a de Jesus, como Ele disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18) — só existe numa constante e directa referência a Ele. E não como leve inspiração do passado mas como presença viva e atuante hoje. Sim: é tarefa de todos os cristãos confrontarem-se com Jesus vivo todos os dias. É tarefa da Igreja mostrar esta Presença que transborda de vida.
Mas também não há cristianismo sem Igreja. Claro que podemos procurar tantas explicações para esse facto…. Mas a grande razão é esta: Jesus Cristo quis e quer a Igreja.
A Igreja não foi uma invenção dos discípulos, cheios medo; não foi uma esperteza de Pedro que manobrou a mente dos companheiros para poder exercer poder… ou tantas outras razões que “cabeças iluminadas” já arranjaram ao longo destes dois mil anos. Não: os escritos do Novo Testamento; os escritos dos primeiros séculos e (sobretudo) a vida dos primeiros cristãos e o testemunho que chegou até nós é claro: não há fé cristã isolada, individual. O cristianismo é sempre vivido nesta comunidade tão singular, tão única, que é a Igreja, tão divina e tão humana.
Ao longo de 2 mil anos, ultrapassou fronteiras políticas, ideológicas, culturais; deixou a Palestina, chegou a Roma e ao fim do mundo de então chamado “Lisboa”, tal como (séculos depois) daqui partiu para as Ilhas, para as Américas, as Áfricas, as Ásias, o mundo inteiro. Um povo enorme que peregrina no tempo mas com um constante olhar para Cristo e em Cristo. Mas sempre estrangeiros neste mundo, e peregrinos de esperança.






















