O Vaticano publicou no final do mês passado o documento “Antiqua et Nova”, sobre a relação entre Inteligência Artificial (IA) e inteligência humana. A nota, aprovada pelo Papa Francisco, é fruto da reflexão conjunta entre o Dicastério para a Doutrina da Fé e o Dicastério para a Cultura e a Educação.
O texto composto por 117 parágrafos, aborda “as questões antropológicas e éticas” levantadas pela IA, apresentando os limites e oportunidades do desenvolvimento desta tecnologia em diversos campos, tais como: educação, economia, trabalho, saúde, relações internacionais e interpessoais, e nos contextos de guerra.
O documento, depois de apresentar uma reflexão sobre a inteligência humana, que engloba a totalidade da pessoa humana e possuiu “uma abertura desinteressada ao Verdadeiro, Bom e Belo”, explica que a IA é um instrumento que executa tarefas, mas é incapaz de pensar. Como afirmou o Papa, “o próprio uso da palavra ‘inteligência’ é falacioso”.
Neste sentido, “a IA não deveria ser vista como uma forma artificial de inteligência mas como um dos seus produtos”, uma ferramenta complementar à inteligência humana.
Em relação ao âmbito do trabalho, a Nota destaca que “não se deve procurar substituir sempre mais o trabalho humano pelo progresso tecnológico”, pelo contrário, a IA tem potencial para aumentar competências e a produtividade dos trabalhadores, sem reduzi-los a “engrenagens de uma máquina”.
Por fim, a questão fundamental é “se o homem, como homem, no contexto deste progresso, se torna verdadeiramente melhor, isto é, mais maduro espiritualmente, mais consciente da dignidade da sua humanidade, mais responsável, mais aberto aos outros, em particular aos mais necessitados e aos mais fracos, mais disponível para dar e levar ajuda a todos”.
Segundo este documento, a IA deve ser utilizada para promover a dignidade humana e o bem comum, e não para substituir ou reduzir a pessoa.





















