Uma felicidade maior

D.R.

“Foram felizes para sempre”: depois de dificuldades, de sofrimentos superados, os heróis do meu tempo de criança tinham sempre garantida uma felicidade maior. Hoje, no entanto, contentamo-nos (parece) com pequenas felicidades. Habituámo-nos àqueles pequenos prazeres do momento — que se tornam, depois, um vício porque, como é óbvio, precisamos de os repetir e repetir, sem termo. Talvez por isso a vida se tenha tornado tão cansativa: cansa procurar desse modo a felicidade e ter que regressar sempre ao início e voltar a tentar, uma e outra vez, sabendo antecipadamente que nada poderá saciar a sede de felicidade que existe em nós.

É verdade: fomos feitos para a felicidade — e a prova é que a procuramos sempre, sem cessar, por muito que nos digam que não existe. É óbvio que existe porque todos a procuramos. Buscar a felicidade não é uma tendência de alguém que foge à regra. Pelo contrário: ninguém deixa de a buscar e de a sonhar, mesmo aqueles que dizem ter desistido… 

Santo Agostinho dizia-o de outro modo: “Criaste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansa em Ti”. Dizia-o a partir da sua própria experiência, da sua própria procura.

Na Igreja, é tarefa primeira dos consagrados mostrar que essa felicidade existe. Que ela tem um nome: Jesus, o Deus que veio ao nosso encontro para nos mostrar o seu caminho. Que, tal como somos, não nos basta desejá-la: é preciso acolhê-la, recebê-la, agradecidos. E que, apesar das semelhanças, felicidade e facilidade são muito diferentes.

É para isso tudo que existem consagrados. E o povo de Deus tem o direito de receber deles esse testemunho.