Cada pessoa tem uma história única, feita de desafios, sonhos e projetos. Ouvir diretamente as histórias de vida dos imigrantes e os seus percursos é um exercício que permite olhar para uma realidade feita de nomes e rostos, mais do que relatórios e estatísticas. Os seus relatos ajudam a combater estereótipos, mitos e generalizações, mostrando a riqueza da diversidade cultural das experiências migratórias.
Ao longo desta semana, a RTP2 tem transmitido o programa “Começar de novo” onde apresenta as histórias de refugiados e migrantes de várias nacionalidades que encontraram em Portugal um lugar de recomeço de vida. Na quinta-feira, no episódio 5, uma família de Mossul, no Iraque, foi obrigada a refazer a sua vida diversas vezes durante a guerra. O pai, Khaled, era ferreiro, e a mãe, Ramiz, trabalhava numa igreja, na educação cristã de crianças.
“Eu vivia aterrorizada. Temia pelo meu filho, pelo meu marido. Quando ele ia trabalhar eu rezava a Deus que voltasse a casa. Eu temia pela minha família”, disse.
O casal foi desalojado cinco vezes e a sua casa confiscada pelo Estado Islâmico, pelo facto de serem cristãos. Ao nascerem os filhos não havia outra solução: fugiram de noite, levando só as roupas que tinham no corpo. Foram, como refugiados, para a Turquia. Um dia receberam uma chamada das Nações Unidas e vieram para Portugal. “O país onde vivemos agora é o país onde vamos crescer, o país do nosso futuro”.
Neste momento, o que mais desejam é a paz. “Queremos acompanhar o futuro dos nossos filhos em paz (…) Toda a nossa história da emigração, foi pelo bem dos nossos filhos, para adquirirem uma nova vida e se desenvolverem”.
Na Carta Aberta, assinada neste mês de janeiro por dezenas de organizações da sociedade civil, incluindo algumas da Igreja Católica, apela-se a políticas de migração que respeitem os direitos humanos, “onde a centralidade das Pessoas nas políticas públicas e nos processos de desenvolvimento é ativamente defendida”. Os signatários concluem a Carta dizendo: “Precisamos de um novo paradigma para as migrações, encaradas nem como um ‘problema a ser resolvido’ nem como uma ‘solução para os problemas’, mas como uma parte intrínseca de um processo mais abrangente de desenvolvimento e transformação social (Hein de Haas)”.




























