Apostolado dos Leigos: Não se pode confundir esperança com desejos e expectativas

Foto: Duarte Gomes

O Colégio de Santa Teresinha voltou a acolher no sábado, dia 23 de novembro, mais uma Jornada Diocesana do Apostolado dos Leigos.

Desta vez foram dois os oradores convidados para falar nesta iniciativa, que voltou a contar com um bom número de participantes, que se deslocaram ao colégio para ouvir falar sobre se “Haverá futuro para a esperança? Um olhar sobre as esperas contemporâneas” e sobre como “Viver o Jubileu na Diocese”.

O Pe. João Gonçalves abordou o primeiro tema. Em declarações ao Jornal da Madeira, o sacerdote citou São Paulo quando este afirma que «a esperança é a definição exata da existência cristã». De resto, se assim não fosse a vida não teria qualquer sentido. 

Agora é preciso “saber o que é que esperamos quando dizemos que esperamos”. Muitas vezes, explicou, “a esperança é confundida com os desejos e as nossas expectativas, que são ilusórias, criadas por nós ou que outros nos sugerem”.

Este mesmo alerta foi, de resto, deixado pelo próprio bispo do Funchal, nas palavras que proferiu logo na abertura destas jornadas e em que deixou bem claro que ter esperança não é “querer que o meu clube ganhe”. A esperança Cristã, vincou, “é a certeza que nos vem da fé que este novo mundo é uma realidade que já começou e que tem como projeto Jesus Cristo”.

Por isso, disse o Pe. João, “temos que ver a partir de que base, em que chão, nós pensamos a esperança, sabendo que esta é diferente desses desejos e dessas expectativas”, que estão “muito ligados a um futuro e a uma felicidade material que não temos, que está muito ajustada à temporalidade”. Por isso, acrescenta “não faz sentido que nós depositemos toda a nossa realização pessoal no atingimento de alguma coisa que pode desaparecer de um dia para o outro”.

Podemos também, e foi um exercício proposto, “pensar a esperança a partir do seu contrário, isto é, a partir do medo”. Algumas vezes, lembrou, ouvimos dizer que “melhor seria não existir”. Ora “quando um humano diz isso está a viver uma morte antes da morte física, uma morte antecipada”.

O cristianismo, explica, “identifica essa morte com uma falta de amor, não ser capaz do amor e não se sentir amado, o que é dos piores sentidos que se pode viver”. É por isso, recordou que São João escreve na sua carta que «o amor perfeito expulsa o temor”. Por outras palavras, “o amor perfeito abre a nossa vida para uma vida liberta do medo”. Além disso “o evento Jesus Cristo e a ressurreição de Jesus Cristo mostra-nos e aponta-nos e dá-nos a esperança para duas coisas: a esperança de esperar contra a morte, mas uma morte espiritual, e para esperarmos contra a própria morte física”.