O Museu de Arte Sacra do Funchal realizou um encontro sobre a preservação e valorização do património religioso no dia 20 de novembro.
O evento contou com a presença de Fátima Eusébio, Presidente do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que trouxe a sua vasta experiência para discutir os desafios atuais na gestão deste património.


O encontro foi estruturado em duas partes fundamentais: “Dinâmicas de salvaguarda dos bens culturais da igreja” e “Os bens culturais da igreja: entre a experiência e a fé no caminho do encontro com Deus”.
Esta abordagem permitiu sublinhar tanto os aspetos práticos de conservação quanto o significado espiritual dos Bens Culturais da Igreja.
Ao Jornal da Madeira, Fátima Eusébio, destacou a importância dos inventários e da conservação preventiva: “Só há duas dioceses a nível nacional que têm 100% do inventário realizado que são as dioceses de Évora e Porto Alegre/ Castelo Branco. Precisamos que os inventários sejam realizados e que vão sendo revistos, atualizados ao longo dos anos, isso é muitíssimo importante”, referiu.
A especialista também enfatizou a necessidade de planos de conservação preventiva: “Infelizmente não há planos de conservação preventiva. Cada espaço é um espaço e um plano para ali não é o mesmo para outro local, mas há elementos que são basilares”. Neste contexto exemplificou, “como manuseamos, como acondicionamos as peças, como limpamos a Igreja, etc… Tudo isso deve ser objeto de um plano de conservação preventiva”, disse.
A Presidente do Secretariado Nacional também abordou a questão do restauro, alertando para os restauros, “infelizmente continuam a fazer-se muito restauros que são danosos e destrutivos do património. É necessário, de uma vez por todas que se assuma que só podem intervir empresas qualificadas e com técnicos qualificados”.


Sobre a importância do património religioso, Fátima Eusébio afirmou: “Os bens culturais da Igreja existem para falar de Deus, para aproximar os fiéis de Deus. Não existem para enfeitar, para decorar. A parte estética é só entendida num caminho para Deus”.
A responsável ressaltou ainda para a importância de comunicar com eficácia o significado dos bens culturais: “É muito importante que nós façamos um resgate também destes bens culturais na perspetiva de que as comunidades consigam descodificar, perceber o que está ali representado e o que é que significam em termos de anúncio da Boa Nova”.
Este encontro no Museu de Arte Sacra do Funchal reforçou a importância da salvaguarda e valorização do património da Igreja, não apenas como herança cultural, mas também como instrumento de fé e recurso de evangelização.
























