O aniversário da Fundação da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, foi a 13 de novembro, mas é este sábado, dia 16, que as irmãs vão assinalar, com uma Eucaristia os 156 anos de existência. Neste momento são quatro as religiosas que se encontram na Madeira. A mais nova é a irmã Teresa de Jesus. Natural de Timor Leste, já esteve a trabalhar no sul do país, depois três anos na Guarda e agora está na Madeira. Quando disse o seu “sim” a Deus fez também um voto de obediência e vai para onde a mandarem, mas confessa que gosta de cá estar porque “a Madeira também é uma ilha como a minha terra”. Sexta filha de nove irmãos, teve dificuldades em que o pai aceitasse que este era o caminho que queria seguir e sobretudo “o caminho que me faz feliz”.
Foi no passado dia 13 novembro que se assinalou a fundação da vossa congregação por Teresa Saldanha…
Sim, é verdade. Mas só hoje pelas 18 horas, na Igreja de Santo Amaro, vamos assinalar essa data com toda a comunidade no decorrer de uma Eucaristia.
A congregação foi fundada para a educação da juventude e outras obras de caridade, sendo a primeira congregação religiosa fundada em Portugal, após a supressão dos religiosos.
É verdade. E as irmãs já tiveram muitas crianças a seu cargo, mas agora com as suas idades isso já não é possível. Por isso ajudamos de outra forma. Eu, por exemplo, dou catequese na paróquia de Santo Amaro e de São Pedro e ajudo no que me seja pedido. Algumas das Irmãs também têm a missão de dar a Comunhão nos lares e algumas visitam os doentes.
“eu estava sempre a dizer que gostaria de um dia ser como as irmãs, porque elas tratavam muito bem das crianças, visitavam os doentes e ajudavam muita gente”
Quantas irmãs tem a congregação neste momento?
Neste momento somos apenas quatro. Temos mais irmãs, até madeirenses, mas que há pouco tempo foram para a minha terra que é Timor Leste, enquanto eu vim para cá.
A irmã Teresa, como todos a conhecem é a mais nova?
Sim, sou a mais nova. Tenho 35 anos e fiz os meus votos perpétuos no mês de junho, já em Portugal, mais precisamente na Guarda onde estive três anos antes de vir para cá. Mas fiz também voto de obediência e vendo que havia aqui necessidade a congregação enviou-me para cá. E eu cá estou.
Integrou-se bem, portanto?
Sim, muito bem, são minhas irmãs.


Quando é que descobriu a sua vocação e porquê as irmãs Dominicanas?
Quando eu era criança e vi as irmãs aquilo mexia comigo. E eu estava sempre a dizer que gostaria de um dia ser como as irmãs, porque elas tratavam muito bem das crianças, visitavam os doentes e ajudavam muita gente. Em novembro de 2004, quando as Irmãs Dominicanas chegaram a Timor eu pensei que era a minha oportunidade de entrar para a congregação e ajudar o meu país e assim foi. Fiz os primeiros votos na minha terra, depois fui enviada para o sul do país, onde estive seis anos. Então as irmãs perguntaram-me se eu queria vir para Portugal para continuar a minha formação e eu disse que sim. Vim para a Guarda, onde estive três anos, onde fiz os meus votos perpétuos e só depois vim para cá.
“os mártires, incluindo sacerdotes, que deram a sua vida pela independência de Timor não o fizeram em vão”
Como é que a família encarou essa sua decisão de ser religiosa?
Nós somos nove irmãos e eu sou a sexta filha. Ao princípio o meu pai não aceitava. Eu fugi de casa e entrei no convento. Ao fim de um mês o meu pai foi-me lá buscar e só dizia vamos embora. Eu respondi-lhe que já estava na casa da Deus e vou morrer aqui. Daí em diante, todos os meses o meu pai ia ao convento para ver se eu estava feliz ou não. Então nas férias quando estive com o meu pai. Foi quando ele me disse que podia continuar porque sabia que eu estava feliz.
Na família houve mais quem lhe seguisse os passos ou não?
Na família direta não, mas tenho primos que sim.
Se hoje uma jovem se abeirasse de si dizendo que lhe parecia ter vocação para religiosa o que é que lhe diria?
Eu diria que estar com o Senhor é muito importante para saber o que Ele quer para nós. Ele melhor do que ninguém sabe o que é o melhor para nós. Por isso só é preciso estar atenta ao chamamento e eventualmente procurar quem possa ajudar a caminhar, um guia espiritual que ajude a encontrar respostas. No meu país, muitos jovens vinham ter comigo e um exemplo que nós queremos deixar ao mundo é que os mártires, incluindo sacerdotes, que deram a sua vida pela independência de Timor não o fizeram em vão. Isso só se consegue dando continuidade ao seu trabalho.





















