Nas primeiras décadas da povoação da Ilha da Madeira, perto do mar, na Ponta do Sol, um eremita franciscano recolhia-se numa furna, em oração. Na verdade, antes da fundação dos conventos na Madeira, os frades não tinham lugar estável, vivendo como eremitas seguindo a regra de S. Francisco de Assis para os eremitérios.
Os populares, acolhendo a devoção franciscana dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, pediram então o terreno necessário para a construção de uma capela. Em carta datada de 1474, a infanta D. Brites (mãe do rei D. Manuel e tutora de D. Diogo, 3º senhor da Ilha da Madeira), escreveu: “por alguns moradores desta Ilha me foi hora feito recontamento, como em Sancta Maria dos Anjos, que esta e cerqua da Ponta do Sol, em terra de Galegos, se aqueceram alguns evidentes milagres, pellos quais, e por serviço de Deos, alguns homens tomarão devoção de fazerem a dita caza” (in Henrique Henriques de Noronha, 1722).
O padre Gaspar Frutuoso, na obra “Saudades da Terra” (1586-1590), também faz referência à ermida de Nossa Senhora dos Anjos: “tirando ser pequena, he uma rica casa, com hum retabolo pequeno, e fresco, e bem ornado, junto da qual está huma fresca fonte debaixo de huns seixos, entre huns canaviaes de assucar de mui fermosas canas”.
Nas anotações de Álvaro Rodrigues de Azevedo à obra “Saudades da Terra” encontra-se mais um apontamento sobre a capela, informando que foi instituída em 1508 por Martim Afonso e sua mulher Isabel Afonso “em morgado da terça de seus bens, a favor de seu filho Diogo Martins de Canha, o Cavalleiro”.
Todos os anos, no dia 1 de novembro, celebra-se nessa capela, situada na paróquia dos Canhas, Ponta do Sol, a festa de Nossa Senhora dos Anjos, com arraial muito participado. No seu interior, além da imagem principal, destacam-se as imagens de Nossa Senhora do Desterro e do Sagrado Coração de Jesus.
A capela de Nossa Senhora dos Anjos, pela sua antiguidade, é um importante marco histórico e símbolo da herança religiosa franciscana da Madeira.


































