Vitorianas em festa: Irmã Anália completa 100 anos a 4 de novembro

D.R.

A Irmã Anália das Neves Viríssimo é natural do Paul do Mar, conselho da Calheta. Nasceu no dia 4 de novembro de 1924, numa família numerosa: eram oito irmãos, cinco rapazes e três raparigas, sendo ela a terceira filha. 

Uma família católica, que acolheu bem a decisão da jovem de querer seguir a vida religiosa. Quanto ao seu centenário diz o segredo para aqui chegar foi trabalhar sempre, porque “o trabalho dá vida e gosto de viver”.  Foi na cozinha do Colégio de Santa Teresinha, que deixou há bem pouco tempo,  que passou boa parte da vida.

– Como e quando descobriu a sua vocação? E o porquê a escolha das Irmãs Vitorianas?

Desde pequena quis ser religiosa. Havia uma Comunidade de Irmãs no Paul do Mar e eu convivia com elas. Fazia-lhes recadinhos, gostava muito delas. O pároco da freguesia um dia convidou-me para ir para a Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, mas eu escolhi esta, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias. Ainda frequentei os encontros dessas Irmãs. Tive uma irmã que também entrou na Congregação, mas depois de postulante, desistiu. 

“O segredo foi trabalhar sempre, não ficar parada, sempre ocupada; o trabalho dá vida e gosto de viver”.

– Como reagiu a família ao anúncio de que queria ser freira?

Os meus pais reagiram muito bem, quando manifestei desejo de ser Irmã, ficaram contentes, apoiando-me.  O meu pai dizia que preferia que fosse religiosa a me casar com um bêbado.

– Quando foi que professou os seus votos?

Entrei na Congregação tinha eu 19 anos, na Quinta das Rosas. Após um ano, fui para o Convento de S. Bernardino, Câmara de Lobos. Recebi o hábito, na véspera de Nossa Senhora do Monte, a 14 de agosto de 1948 e no dia 18 do mesmo mês, fiz a minha 1ª Profissão Religiosa, na capela da Quinta das Rosas.

“O carisma que a da Irmã Wilson nos deixou é sempre atual, na Igreja e na sociedade.  Jesus continua a chamar os jovens, há que escutar e responder”. 

– Como é que tem sido a sua caminhada? já chegou aos 100 anos…

A minha caminhada tem sido, praticamente no Colégio de Santa Teresinha. Estive 11 anos num Lar de idosos, nos Açores. Ainda estive uns meses no Porto Moniz. Depois vim para o Colégio de Santa Teresinha, que inicialmente era na Calçada da Encarnação. Mais tarde, então, passou para a Rua Pedro José de Ornelas. Toda a minha vida foi dedicada à cozinha, onde me sentia realizada. Trabalhei nesta profissão, deixando de trabalhar até há pouco tempo. E aqui estou nesta Comunidade do Colégio de Santa Teresinha, onde me sinto bem.

– Qual é o segredo para se chegar a centenário?

O segredo foi trabalhar sempre, não ficar parada, sempre ocupada; o trabalho dá vida e gosto de viver. Gostei da minha profissão; fazia um pouco de tudo, nesta área: bolos, sobremesas… acho que todas as Irmãs apreciavam os bolos de leite que eu fazia, principalmente nos Retiros. Também me dediquei a fazer bolos de mel, no Natal. Fazia não só para a Comunidade do Colégio como também para as outras Comunidades e para ofertas. 

– Se uma jovem se abeirasse hoje de si e lhe pedisse conselhos sobre a vida religiosa, com vista a poder vir a tornar-se Irmã, que conselhos lhe daria?

Como me dei bem, com certeza que aconselhava a que abraçasse este género de vida, para seguir a Jesus Cristo pobre, casto e obediente. O carisma que a da Irmã Wilson nos deixou é sempre atual, na Igreja e na sociedade.  Jesus continua a chamar os jovens, há que escutar e responder.