“Temos que manter a tradição”

Salvador Pinto, o jovem sineiro da paróquia da Assomada

São sete os lances de 10 degraus que nos separam do nosso objetivo: chegar ao campanário da Igreja da Assomada, onde Salvador Pinto, o sineiro, toca manualmente os sinos. Com 15 anos o jovem seminarista diz que aprendeu a tocar de ouvido e a ver vídeos no Youtube. Quando ele está na torre sineira, toda a paróquia sabe que é por ele que os sinos tocam.

Seculares os sinos começaram por ser colocados para chamar paroquianos às atividades, mas tinham funções de “vigilância e de chamar a população em momentos de crise”.

Existe um sem número de toques e funções. Desde o toque de finados, para que os cristãos juntassem as preces pela alma do defunto, ao sinal de alarme, da súplica ou do parto difícil.

Antes do advento do rádio, da televisão e dos onipresentes smartphones, eram eles que traziam as notícias. 

Em Braga foi mesmo criada uma associação que visa preservar este património imaterial que está cada vez mais ameaçado, uma vez que a maioria dos sinos está automatizada. Entre outras coisas, esta associação quer que uma vez por mês os sinos sejam tocados manualmente em cada paróquia. 

“O ofício de sineiro já está a se perder e temos que manter a tradição. Aliás, na Assomada, são tocados os sinos manualmente todos os domingos 30 minutos antes da missa”, disse Salvador Pinto.

Pedras Vivas 20 de outubro de 2024 (A4)

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