Deus não faz queixa à polícia por dizermos se Ele quer ou não uma determinada coisa. Talvez por isso tenhamos muita facilidade em dizer: “Deus quer” ou “Deus não quer”. Sejamos honestos: habitualmente achamos que Deus quer aquilo que nós queremos; e que não quer aquilo que nós não queremos. Muito mal se tem feito à conta desta “leviandade” com que dizemos “Deus quer” ou “Deus não quer”.
Mas isso não significa — bem longe disso — que não devamos procurar a vontade de Deus para a pôrmos em prática. Essa é mesmo a tarefa do cristão. O Beato Carlos de Áustria, cujo corpo é guardado na Igreja do Monte, no Funchal, no que foram umas das suas últimas palavras, disse: “Na minha vida, sempre procurei perceber a vontade de Deus, para a pôr em prática”.
Como discernimos a vontade de Deus? Jesus Cristo, o Deus feito homem, é o grande critério: é o ponto alto do que é ser humano segundo a vontade de Deus. É o rosto divino do Pai — rosto tão divino e tão humano que o podemos representar, pintar; voz tão divina e tão humana que pôde ser escutada; carne tão divina e tão humana que pôde ter tocada.
É de Jesus que falam as Sagradas Escrituras — e, por isso, também estas são critério para percebermos a vontade de Deus, desde que lidas no seio da Igreja, a comunidade onde elas brotaram. É de Jesus e das Escrituras que fala a Igreja, tornando Cristo presente ao longo destes dois mil anos. É ainda de Jesus que a vida dos santos oferece testemunho. E é com Jesus que nós, cristãos, falamos na oração silenciosa ou comunitária. É ainda Ele que vem ao nosso encontro nos pobres, nos amigos e em tantos acontecimentos.
De facto, não é por falta de testemunhos da vontade de Deus que não a conhecemos. É simplesmente por não a querermos procurar e porque ela é muitas vezes difícil de viver!


















