A Dança das Espadas

Foto: Duarte Gomes (arquivo)

A Dança das Espadas, realizada na Festa de São Pedro na Ribeira Brava, é o único vestígio de dança de carácter guerreiro existente na Madeira. Esta foi uma tradição recuperada pelo Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova no ano 2000. 

Em Portugal, esta dança surgiu na procissão do Corpo de Deus, onde os diversos ofícios eram obrigados a apresentar uma dança ou baile. Em Coimbra, no ano de 1517, esta dança era realizada pelos oleiros. Em Penafiel – que continua ainda hoje a manter este costume – a dança era executada pelos fer-reiros e serralheiros (atualmente esta dança também é praticada na Galiza nas províncias de Corunha e Pontevedra). 

Na Madeira, a mais antiga referência é apontada na Procissão do Corpo de Deus na Ponta do Sol, que incluiu, em 1610, “uma dança de espadas com suas tangeres, de sete dançantes” (padre Fernando Augusto da Silva, Elucidário Madeirense, 1940). 

Ao longo do séc. XVIII, os jogos, danças e folias deixaram de ter lugar nas procissões do Corpo de Deus em Portugal, perdendo-se nessa altura esta dança. 

Em 1879 foi recuperada a velha tradição de trazer uma barquinha na procissão de São Pedro na Ribeira Brava, associando-se à festa desse dia a Dança das Espadas, executada por pescadores. 

No início do séc. XX, a Ribeira Brava era o único local onde se praticava esta dança. Escreve M. Sardinha em 1902: “O que é a Dança de São Pedro (…) poucas pessoas deixarão de ser tocadas pela curiosidade de assistir àquela peça choreographica, única exclusiva a esta freguesia e a esta festividade (Revista Madeirense, 1902).

Alguns anos depois a dança deixou de fazer parte da festa de São Pedro. Escreve o padre Eduardo Pereira, “a última vez que se exibiu, extraordinariamente esta dança foi a 28 de julho de 1946 (…) acompanhou o cortejo uma orquestra de instrumentos regionais com mais de 200 executantes entre os quais tocadores de castanholas de forma e tamanho os mais exóticos e originais” (Ilhas de Zargo, 1957).