“Sejamos como Santo António: presença e testemunho de Jesus Cristo que a todos ama e a todos quer salvar” – D. Nuno Brás

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu esta quarta-feira, dia 12 de junho, em Santo António, à Missa Vespertina da Festa de Santo António, cuja solenidade a Igreja celebra hoje.

Na homilia da celebração, o prelado fez questão de deixar claro que as leituras do dia nos convidavam a refletir sobre três pontos essenciais da vida cristã, os quais são também “três pontos muito importantes na vida de Santo António”.

O primeiro deles é a sabedoria, que tem de ser pedida, como o fez Salomão na 1ª Leitura. A sabedoria que “não é qualquer coisa que nós possamos criar, que seja fruto do nosso pensamento, do nosso engenho, mas a sabedoria é antes qualquer coisa que havemos de pedir a Deus, porque só Ele, verdadeiramente, no la pode dar”. 

A sabedoria, neste caso, não é saber muitas coisas, mas é “ver a realidade com os olhos e sobretudo com o coração de Deus”. E por isso, “como Santo António havemos nós, cristãos, de pedir a Deus que nos ajude a ver o mundo, os outros, os acontecimentos, não com a nossa esperteza, não com o nosso saber, mas com os olhos e o coração de Deus”. 

E isso, vincou o bispo diocesano, “torna tudo diferente”. De resto, Santo António “era um homem que sabia muito”, mostrava-o nos seus sermões”, mas sobretudo “sabia ver com os olhos de Deus e por isso não hesitou em deixar a vida de livros e de sábios para ir para Marrocos anunciar o evangelho ou para ir para Itália viver a vida dos frades Franciscanos”.

Já o segundo ponto para que as leituras nos chamavam a atenção era para a oração, “o encontro com Deus”, sem o qual a nossa vida de cristãos nada vale. 

“Sem a oração a nossa vida de cristãos é uma nulidade, é simplesmente aparência, é oca”, frisou o prelado, para logo acrescentar que “é a oração quem dá conteúdo à nossa vida, que nos ajuda a perceber o que havemos de fazer, de ser, de viver”.  Mais uma vez, “Santo António é um homem de oração”. 

Finalmente, é no Evangelho que encontramos o terceiro ponto e “a necessidade de sermos testemunhas de Cristo, de O tornar presente não apenas para nós, mas também para os outros”. E não o fazemos por acharmos que somos melhor do que os outros, mas porque sabemos que Deus não se esquece de ninguém. Na verdade, “Deus a todos pede e propõe um caminho de mudança, de transformação, de conversão”.

Trata-se, explicou D. Nuno Brás, de mostrar que “para além de todos os sofrimentos, as dificuldades da nossa vida o Pai tem reservado, para todos, a felicidade eterna bastando que lhe abramos o coração e deixemos que Ele em nós realize maravilhas”. 

A mesma missão foi confiada a Santo António que, com o seu modo de ser e de viver, foi abrindo corações e mostrando que a conversão é possível. Ainda que sem saber fazer sermões como Santo António, a verdade é que “havemos de ser capazes de dar testemunho do amor de Deus, porque não somos nós a falar, mas o Espírito Santo em nós”.

“Como Santo António peçamos ao pai a sabedoria, façamo-lo na oração e disponhamos a nossa vida de forma a que ela possa ser presença, testemunho deste Jesus Cristo que a todos ama e a todos quer salvar”, concluiu.

No final da Eucaristia, concelebrada pelo Pe. André Pinheiro, o cónego Carlos Duarte Nunes, pároco de Santo António, agradeceu a presença de D. Nuno Brás, “num dia que em que toda esta comunidade, todos os devotos, louvam a Deus por intermédio de Santo António”.