Congresso Eucarístico Nacional: “Abre-se aqui uma estação de renovação e de caminho”- Cardeal Tolentino Mendonça

Foto: DACS

O cardeal português D. José Tolentino Mendonça disse hoje [2 de junho] no Santuário do Sameiro que a Igreja Católica deve procurar “novas formas” de presença e “novas linguagens”, promovendo “alianças” em Portugal.

“Uma aliança intergeracional que garanta o pão do futuro para os jovens, hoje cercados pela precariedade, e o pão do amor para os mais velhos, que não podem ser postos fora da equação social porque já não são produtivos”, referiu o enviado especial do Papa, na Missa conclusiva do V Congresso Eucarístico Nacional (CEN), perante milhares de pessoas.

A Peregrinação Arquidiocesana ao Sameiro, que começou às 07h00, junto à Sé de Braga, é também o evento de encerramento do V CEN; os participantes fizeram o percurso a pé, ao longo de cerca de três horas.

Evocando os 50 anos da democracia portuguesa, o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé) deixou votos de que este congresso ajude a “repensar o contributo da Igreja” numa sociedade “em acelerada transformação”.

O colaborador do Papa defendeu uma “aliança intercultural”, que promova a compreensão da diversidade como “um enriquecimento comunitário e não como uma barreira à coletiva maturação do bem comum”.

Para a Igreja em Portugal, motivada pelo caminho sinodal, reforçada pela experiência da Jornada Mundial da Juventude, mobilizada pelas grandes linhas do magistério do Papa Francisco, abre-se aqui uma estação de renovação e de caminho”.

O enviado especial do Papa, que trouxe a bênção apostólica de Francisco, desafiou as comunidades católicas em Portugal a ser uma “Igreja Eucarística”, que valoriza o papel de todos e de “portas abertas”.

A homilia apontou ainda a uma “Igreja Samaritana”, que “atualiza a linguagem da compaixão”, e valorizou a devoção mariana em Portugal.

Junto à imagem de Nossa Senhora do Sameiro, D. José Tolentino Mendonça convidou a imitar “traços da espiritualidade mariana”, como a “gentileza”, a “contemplação” e a “beleza”.

“A começar pela beleza da Eucaristia, que tem de ser celebrada como uma ‘obra de arte’ e vivida como a obra-prima que Jesus”, acrescentou.

O V CEN, que se iniciou esta sexta-feira, acontece na arquidiocese minhota, 100 anos depois da sua primeira edição, com o tema ‘Partilhar o Pão, alimentar a Esperança. «Reconheceram-n’O ao partir o Pão»’.

O cardeal português comentou o tema escolhido, sustentando que “a Igreja intercepta o seu futuro quando abre as portas a Cristo”.

A intervenção centrou-se na imagem do pão, com o seu simbolismo para a subsistência da humanidade, alertando para os impactos “da desigualdade social, da inquietante ideologia da exclusão e do descarte”.

“O pão pode ter o perfume da paz ou estar na origem dos inúteis conflitos tóxicos e das devastadoras guerras. O pão pode ser aquilo que une ou a ferida que violentamente separa”, advertiu.

A celebração aconteceu após dois dias de trabalhos do CEN, que decorreram no Fórum Braga, com cerca de 1400 participantes, de todas as dioceses portuguesas.

No final da Missa, simbolicamente, são plantadas quatro árvores pelos bispos metropolitas de Portugal (Braga, Évora e Lisboa) e pelo enviado especial do Papa, como “sinal de articulação entre a celebração da Eucaristia e a consciência ecológica integral”.

OC