Eucaristia e Exposição assinalou trabalho das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu na manhã de sábado, dia 18 de maio, a uma Eucaristia de ação de graças pelos 126 anos da Presença Missionária na Madeira da Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) e pelos 95 anos da Fundação da Escola de Santa Clara.

Na celebração, D. Nuno Brás fez questão de reconhecer e de agradecer todo o trabalho e o papel das Irmãs na nossa Ilha, nomeadamente em prol da Educação. Além disso, neste momento especial colocou junto ao altar do Senhor as irmãs Clarissas, que aqui estiveram desde a fundação desta casa.

Em vésperas de Pentecostes, o prelado fez ainda questão de “pedir para todos nós esta graça de nos deixarmos pôr em causa pelo Espírito Santo e de percebermos que caminhos havemos de percorrer”. É que, explicou, “o Espirito Santo ensina-nos, é luz, e dá-nos outro modo de ver as coisas”.

Nesta celebração em que marcaram presença antigos alunos e docentes, o bispo diocesano lembrou que o “Espírito Santo é sempre a presença de Deus que nos convida a ir mais longe, a não ficarmos quietos”.

Depois da Missa, mas ainda na capela, houve lugar à apresentação de testemunhos em que se recordaram percursos e de memórias.

O Convento de Santa Clara, recorde-se, continua a ser, como já tantas vezes se disse, “casa, abraço, regaço materno e mesmo altar”, por onde têm passado centenas e centenas de crianças que se têm sentido acolhidas vivendo cada dia com alegria e esperança.

Hoje como no momento da fundação das FMM, por Maria da Paixão, na Índia, a congregação continua a ser a primeira congregação feminina dedicada à missão universal e à vivência como Igreja, daí as irmãs se assumirem como “mulheres em missão”. E ser, Missionária de Maria é procurar imitar Maria na sua disponibilidade “para aquilo que Cristo quer de nós”.

O grande dinamizador e impulsionador da vinda das FMM para a Madeira foi o Dr. Romano Santa Clara Gomes, que sempre acompanhou de perto as irmãs que, em 1801, vieram para o Hospital do Funchal, mas que em outubro de 1898, arrancavam com o Colégio de Santa Clara, que então como hoje, continua a olhar de forma especial para as famílias mais desprotegidas.

As irmãs também se dedicaram à promoção e valorização da mulher, que segundo a fundadora tinham e têm uma missão no mundo, seja com a família, seja com os outros.

Eram conhecidas pela humildade, a caridade e pela forma afetiva como acolhiam as crianças que ficavam à sua guarda. Mas apesar do excelente trabalho, em 1910 a atividade das FMM no Funchal volta a ser interrompida, e as irmãs obrigadas a deixar a ilha, debaixo de manifestações de carinho da população. O convento ficou abandonado, sujeito a pilhagens, e muitos dos tesouros artísticos foram roubados e vendidos. Mais uma vez o Dr. Romano empenha-se, compra uma série de peças, entre as quais o órgão, com o sentido de as devolver às irmãs, e mantém a esperança no seu regresso, o que acabaria efetivamente por acontecer.

Em setembro de 1928, no dia 3 de maio, é inaugurada a creche e Jardim de infância, valências que ainda hoje funcionam e a que se juntou a parte do infantário. Hoje, o Semi-internato de Santa Clara, como passou a ser designado o conjunto de valências, acolhe centenas de crianças. 

Hoje, irmãs, pais, famílias e pessoal docente e não docente, formam uma família que procura dar às crianças a oportunidade de desabrocharem no seu tempo certo. 

Todos estes aspetos e tantos outros estão retratados numa exposição que homenageia precisamente a presença das Franciscanas Missionárias de Maria e os 95 anos da Escola-Creche de Santa Clara.

A missão das irmãs passa ainda, para além do aspeto educativo, por receber os que querem visitar o espaço, por preparar a liturgia diária, por visitar e levar a comunhão aos doentes, acolher os vários grupos de oração, catequese e retiro e pela recitação do terço.