Fátima no Cabo Girão

Foto: P. Giselo Andrade

A escadaria que dá acesso à capela de Nossa Senhora de Fátima estava muito movimentada. A passo lento ou mais rápido, os peregrinos subiam acompanhados pelo som dos megafones que difundiam a oração do terço antes da missa do meio-dia. Neste dia, 13 de maio, foram muitos os fiéis que acorreram ao Cabo Girão para participar nas celebrações.

A primitiva capela foi construída pelo padre Agostinho Abreu Vieira, natural de Câmara de lobos. Em 1931, esse sacerdote, na altura, missionário em Cabo Verde, visitou a Cova da Iria em Fátima e diante da Imagem de Nossa Senhora prometeu construir uma capela no Cabo Girão, caso a revolta que estava a decorrer na Madeira (levantamento militar) não provocasse morticínios nem grandes estragos. Alcançada a graça, meteu mãos à obra e iniciou a construção, a expensas próprias, da ermida de cinco metros de cumprimento e três de largura, no Pico do Galo, Cabo Girão. A capela foi benzida no dia 11 de outubro de 1931 por D. António Manuel Pereira Ribeiro com a presença de cerca de quatro mil pessoas.

A grande afluência de fiéis que nos dias 12 e 13 de cada mês se mobilizavam para o local tornaram a capela num importante centro de peregrinação. O padre Abreu Vieira pensou, então, edificar ali “um magnífico e amplo santuário” que transformasse aquele lugar num centro de culto semelhante a Fátima.

O projeto ainda chegou a receber aprovação do bispo diocesano, mas a controvérsia criada com as paróquias vizinhas e a aspiração desmedida do seu promotor levou a que o bispo mandasse encerrar a capela em março de 1934. No final dos anos 50, a capela reabriu sob a jurisdição da paróquia de São Sebastião, passando, a partir de 1961, para a jurisdição da recém-criada, paróquia da Quinta Grande.

Em 1974, o pároco da Quinta Grande, Manuel de Nóbrega, construiu o atual edifício do santuário, que incorporou a fachada da capela inicial, depois de uma batalha jurídica com as autoridades.

Mais recentemente, o padre Adelino Macedo Costa, enquanto pároco da Quinta Grande, procedeu a vários melhoramentos e ao coroamento da torre sineira. A dedicação do Santuário ocorreu a 8 de maio de 2019, numa celebração presidida por D. Nuno Brás.