Visita do Espírito Santo

P. Giselo Andrade

Ao longe, o som do violino, da viola e do rajão e as vozes das saloias anunciavam a proximidade da “Visita do Espírito Santo”. Todos aguardavam a sua chegada no adro da capela de Nossa Senhora da Piedade, no Jangão, Ponta do Sol, no final da tarde do domingo passado. 

As cores vermelhas do pendão, da bandeira do Espírito Santo, das opas dos irmãos e das saloias atraíram o olhar expectante. Ainda faltavam as últimas casas. O número de pessoas no recinto aumentava. 

Quando este grupo abençoado entrou no pequeno portão do adro, fez-se silêncio para ouvir os versos das saloias: “É o Espírito da verdade, enviado pelo Pai / No fulgor da caridade, nossas almas abrasai”, e ainda “Desce à terra luz bendita, / vem o teu povo animar / as nossas almas visita / nossos passos vem guiar”. A alegria inundou o coração dos presentes ao ver as insígnias do Espírito Santo, beijadas ao longo do dia por tantos paroquianos. 

O grupo era constituído por cinco irmãs e um irmão com opas vermelhas, duas saloias e três tocadores. Além do pendão e da bandeira, traziam uma coroa sustentada na bandeja, a caldeirinha com água benta e os postais com oração que eram distribuídos pelas casas. 

As saloias estavam trajadas com vestido e camisa branca, a capa vermelha apoiada no ombro esquerdo e uma fita vermelha no ombro direito. Calçavam botas de “vilhão” e sobre a cabeça, as carapuças com penas vermelhas no topo. As capas e as carapuças estavam adornadas com ouro e joias emprestadas para esta ocasião. 

Como escreveu o Pe. Silvério Matos, em relação à paróquia da Boaventura, a Visita do Espírito Santo “é um dia de Festa para os sítios que têm as casas abarrotadas de família que vieram, em alguns casos de longe, e os amigos dos outros sítios em convite” (In Deixas para a história da Boaventura, 2003).