Dia Mundial do Doente: Movimento Presença Amiga quer garantir que em momentos de sofrimento todos merecem o carinho e o amor de alguém

D.R

O Movimento de Voluntariado Hospitalar Presença Amiga, nasceu em 2010, com o propósito de “acompanhar os doentes dos três Hospitais do SESARAM e os Idosos internados”. Ainda hoje é assim, conforme nos explica Maria do Carmo Melvill de Araújo, uma das suas coordenadoras.

Quase todos os dias, em quase todos os andares há voluntárias – são sobretudo as senhoras que se dedicam a estas causas, embora neste momento tenham um voluntário e dois candidatos a voluntários – a pôr em prática o lema do movimento: “Fazer o Bem com o Coração junto dos Doentes, dos Idosos e dos seus Familiares, com a certeza de que em momentos de sofrimento Todos merecem o Carinho e o Amor de alguém”.

Neste que é o Dia Mundial do Doente, em que o Papa nas suas mensagens sempre fala da importância dos voluntários, o Jornal da Madeira dá a conhecer o trabalho deste movimento, ao qual “Qualquer pessoa pode pertencer desde que tenha um Coração Grande, muito Amor para dar e disponibilidade para entregar-se completamente à Missão”.

Quando é que nasce e com que objetivo o Movimento Presença Amiga?

O Movimento Hospitalar Presença Amiga nasce em 2010, com a concordância e apoio total do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Almada Cardoso, do Diretor Clínico, Dr. Miguel Ferreira e do Médico, grande Amigo das Fundadoras Dr. Mário Passos Pereira. O objectivo é acompanhar os Doentes dos três Hospitais do SESARAM e os Idosos internados, independentemente da doença de que são portadores, da raça, cor da pele, da sua cor política, da sua religião, etc. Para nós quem é importante é o Ser Humano em sofrimento.

Quem foram as suas fundadoras?

Por ordem alfabética, todas importantes e já na altura eramos “um por todos e todos por um” – Ana Azinhais Abreu dos Santos, Manuela Fontinha, Maria do Carmo Melvill de Araújo e Venerina Conti.

“Fazer o Bem com o Coração junto dos Doentes, dos Idosos e dos seus Familiares, com a certeza de que em momentos de sofrimento Todos merecem o Carinho e o Amor de alguém”.

Qual é o grande lema do movimento?

O nosso grande lema, sempre actual, é “Fazer o bem com o coração junto dos doentes, dos idosos e dos seus familiares, com a certeza de que em momentos de sofrimento todos merecem o carinho e o amor de alguém”.

Na prática o que fazem os voluntários da Presença Amiga?

Acompanhamos os doentes e os idosos, damos-lhes apoio, carinho, amor. Ouvimo-los, que é tão importante. Conversamos. Rimos. Damos a mão, ou tão simplesmente ficamos ao pé do doente sem falar, apenas estando, se é esse o seu desejo. Fazemos “a agenda do doente”, aprendendo a interpretar pequenos sinais que eles nos enviam, mesmo que eles não verbalizem.

Quando se fala tanto na humanização dos serviços podem os voluntários contribuir para essa humanização?

Sem dúvida alguma, precisamente pelo acompanhamento aos doentes, o saber Ser e Estar junto deles. E junto do pessoal de saúde que, também e tantas vezes precisa dum sorriso, duma troca de palavras.

“Acompanhamos os doentes e os idosos, damos-lhes apoio, carinho, amor. Ouvimo-los, que é tão importante. Conversamos. Rimos. Damos a mão”

Quantos voluntários têm?

Neste momento, estamos apenas com 10 Voluntários Hospitalares, muito pouco para as imensas necessidades, e para os muitos que já tivemos. Quatro estagiários e seis candidatos. Temos ainda seis Voluntários com trabalhos específicos e que não irão aos andares.

São suficientes para ir às grandes unidades à guarda do SESARAM, nomeadamente Nélio Mendonça, Marmeleiros e João de Almada?

É evidente que não. O nosso objetivo é atingirmos muito mais pessoas que se queiram juntar a nós. Se conseguirmos, este ano, atingirmos os 30 já seria muito bom. Estamos em vias de fazer apelos em diversos locais. Um deles pode ser já no Jornal da Madeira. É só contactar-nos pelo email presencaamiga@gmail.com ou por mensagem privada na página Presença Amiga do Facebook.

Quem pode ser voluntário da Presença Amiga?

Qualquer pessoa pode ser voluntária da Presença Amiga desde que tenha um Coração Grande, muito Amor para dar e disponibilidade para entregar-se completamente à Missão deste tipo de Voluntariado. Tem de saber ser humilde e obedecer às normas das Diretrizes da Presença Amiga.

Atendendo ao tipo de voluntariado, creio ser necessária alguma formação e um tempo de estágio, até que se possa dizer que o voluntário está apto…

Claro que sim. Ambos são importantíssimos, a formação e o estágio. Digamos que a formação é a parte teórica e o estágio é a prática sem tempo determinado. Vai depender do “comportamento” voluntário versus doente. E nem todos são aceites.

A Carmo Melvill de Araújo, que já se dedica do voluntariado há muitos anos, o que considera ser a maior “recompensa” para um voluntário?

Um sorriso, uma gargalhada, às vezes antecedido duma boa choradeira que também é necessária. Até isso temos de descobrir.

Qualquer pessoa pode ser voluntária da Presença Amiga desde que tenha um Coração Grande, muito Amor para dar e disponibilidade para entregar-se completamente à Missão deste tipo de Voluntariado.

Que feedback têm tido do vosso “trabalho”?

Muito bom! De doentes, médicos, enfermeiros, auxiliares, até de pessoal administrativo. Reconhecem-nos, sorriem. Quando regressámos, a 1 de maio de 2023, depois da pandemia e ainda não podendo entrar nos Serviços, percorremos o hospital todo oferecendo corações aos enfermeiros como símbolo do amor. As respostas positivas foram mais que muitas – têm feito tanta falta, ainda bem que regressam, etc.. Os abraços ainda foram dados à distância cruzando os braços sobres os nossos corações.

Uma das muitas histórias bonitas que passaram por nós: Havia uma doente, idosa, de longe, que recebia poucas visitas. Todas nós a visitávamos. Um dia coube-me a vez. Ainda nem tinha cumprimentado e diz-me a senhora, “estou muito preocupada, muito preocupada mesmo”. Então o que se passa, perguntei eu. E a senhora, “a voluntária tal está doente?” Que eu saiba não, mas porquê. “Ela prometeu vir aqui anteontem e não apareceu, fiquei muito preocupada, estará doente?” Já se vai saber. Telefonei a saber e a resposta foi “eu estive lá, mas a senhora estava a dormir e não quis acordá-la”. Expliquei à senhora que de imediato me ordenou: “diga-lhe que quando passar cá e eu estiver a dormir é para me acordar”. Ordem imediatamente dada à voluntária e assim se fez.