Cuidar a doença da solidão

D.R.

“Não é conveniente que o homem esteja só”. Esta afirmação divina que nos é reportada no início do livro do Génesis (Gen 2,18), marca toda a nossa existência. Criados à imagem de Deus, a solidão é um dos maiores dramas humanos. Estar só, abandonado por todos, sem ninguém que acompanhe os seus dias é uma das desgraças vividas mais intensamente pelo ser humano, quem quer que ele seja. A solidão, diz o Papa Francisco, “faz perder o significado da existência”.

Não espanta, por isso, que este seja o tema escolhido pelo Santo Padre para a celebração do Dia Mundial do Doente, 11 de Fevereiro, memória das aparições de Nossa Senhora em Lourdes.

No meio da fragilidade da doença — e, nos mais velhos, no meio da fragilidade de quem vê fugirem-lhe as forças e as capacidades da juventude — ver-se igualmente abandonado por todos constitui um verdadeiro drama.

Basta que nos recordemos dos momentos ainda recentes da Pandemia do Covid-19, com tantos doentes impedidos de receber a visita dos familiares e amigos.

Como diz o Papa Francisco: “O primeiro cuidado de que necessitamos na doença é uma proximidade cheia de compaixão e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada — são sempre palavras do Papa —, cuidar das suas relações, de todas as suas relações: com Deus, com os outros – familiares, amigos, profissionais de saúde –, com a criação, consigo mesmo”.