Jacques Delors

Foto: Eric Feferberg/AFP via Getty Images

Portugal e Espanha declararam conjuntamente um dia de luto nacional na quarta-feira, 31 de janeiro, por Jacques Delors, falecido em dezembro, aos 98 anos. 

Foi este político francês, enquanto presidente da Comissão Europeia, que realizou todas as diligências para que a 12 de junho de 1985, Portugal e Espanha pudessem assinar o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias.

Jacques Delors foi uma figura incontornável na transformação da Comunidade Europeia em União Europeia, permitindo a transição para a moeda única. Foi também o criador do programa Erasmus, que possibilitou a mobilidade de estudantes.

Ao longo dos dez anos que esteve a presidir à Comissão Europeia, arquitetou uma Europa de unidade e solidariedade movido por uma tríplice abordagem: “a concorrência que estimula, a cooperação que fortalece e a solidariedade que une”. 

Desde jovem integrou a Juventude Operária Católica (JOC) e depois a Confederação Francesa de Trabalhadores Cristãos (CFTC), que mais tarde, com a sua ajuda, se tornaria na atual Confederação Francesa Democrática dos Traba-lhadores (CFDT).

“A verificação das injustiças e a minha fé cristã levaram-me a tornar-me ativista”, afirmou. 

No dia da sua morte, o editorial do jornal católico francês “La Croix” dizia que Jacques Delors, “a partir da ação católica, por um lado, e da militância sindical, por outro, deu ao cristianismo de esquerda as suas cartas de nobreza” (Isabelle de Gaulmyn, 27.12.2023).

Convidado para falar em 2006, na Semana Social Portuguesa, em Braga, uma iniciativa da CEP, Jacques Delors defendeu a necessidade de centrar a economia nas pessoas, identificando a dimensão social como fator de desenvolvimento da economia. Nesse contexto, também mostrou preocupação na possibilidade da “economia de mercado se transformar numa sociedade de mercado”. 

Para Jacques Delors, “a política não é um jogo de poder, mas um serviço aos outros, à comunidade, ao bem comum”, disse D. Antoine Hérouard, primeiro vice-presidente da COMECE, na homilia da missa exequial a 6 de janeiro.