“Rochinha”

Foto: Pe. Giselo Andrade

O “Elucidário Madeirense” (1922) apresenta duas tipologias da lapinha madeirense: aquela conhecida por “escadinha” e a “rochinha”. A primeira era a mais popular. Armada sobre uma mesa, apresenta “uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus”. 

O outro tipo de lapinhas, que na época continuavam a ser muito vulgares, eram compostas por “rochinhas”, que imitam os ter-renos acidentados da Madeira. Essas lapinhas eram feitas de “socas” de canavieira, com uma “furna” onde eram colocadas as pequeninas imagens do presépio feitas em barro. 

Algumas “rochinhas” eram talhadas em maiores dimensões “em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações”. Os autores do Elucidário recordavam que estas lapinhas “existiam, mas hoje já são muito raras”. 

Atualmente, vemos a difusão de todas estas lapinhas, quer nos espaços domésticos, como nos públicos. 

Esta semana fiquei surpreendido com a belíssima “rochinha” na casa da Srª Cecília no Caminho da Trincheira em Câmara de Lobos, uma obra de arte, feita pela sua sobrinha Helena. Armada no andar superior da casa, a lapinha composta por dezenas de imagens, apresenta cenas da vida quotidiana e das tradições natalícias dos madeirenses: a função do porco, as compras no mercado, a amassadura do pão caseiro, o transporte da água em bilhas, a ordenha e o transporte do leite, a recolha dos ovos para os bolos e broas de Natal, as galinhas para a canja, a moagem num moinho de mão, o sapateiro, o carpinteiro, etc. 

As lapinhas podem ser maiores ou mais pequenas, com mais ou menos “pastorinhos”, mas são sempre sinais da Festa. Afinal, não há Natal sem lapinha.