Blaise Pascal (1623-1662) é um dos cientistas mais citados no mundo e uma das personalidades mais criativas da história. Aos 19 anos projetou a primeira calculadora mecânica, conhecida como “La pascaline”, ponto de partida para os computadores modernos. Pascal é também o pai da computação digital, sendo o primeiro a desenvolver a linguagem binária para a programação de cálculos e processamento de operações lógicas, “fazendo-o um dos precursores da Inteligência Artificial”.
Aos 31 anos, no dia 23 de novembro de 1654, Pascal vive uma experiência mística da presença de Deus, a chamada “Noite de Fogo”. Num bilhete encontrado depois da sua morte, no forro do seu casaco, tornou-se conhecido o “Memorial”: “Fogo. Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, não dos filósofos e dos sábios. Certeza, certeza, sentimento, alegria, paz. Deus de Jesus Cristo”. A alegria da fé é feita na experiência de um Deus pessoal, como escreve nos “Pensamentos”: “Jesus Cristo. Estive separado d’Ele: fugi d’Ele, abandonei-O, reneguei-O, crucifiquei-O. Que eu nunca mais viva separado d’Ele”.
A sua “inteligência prodigiosa” não o afastou das questões quotidianas nem o isolou da sociedade, pelo contrário, fizeram-lhe mergulhar na realidade das pessoas do seu tempo. Assim, elaborou em Paris, em 1661, a “primeira rede de transportes públicos da história”. Para ele, o conhecimento não se limita à razão, mas envolve o coração. Na verdade, um dos seus pensamentos mais conhecidos diz: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Aos 39 anos, antes de falecer, partilhou: “estou decidido para o resto da minha vida não ter outro emprego nem outra ocupação além do serviço aos pobres”.
No quarto centenário da morte de Blaise Pascal, em 19 de junho de 2023, o Papa Francisco escreveu uma carta apostólica dedicada a este homem, com “uma mente científica excecional”, intitulada “Sublimitas et misera hominis”.
























