Sara Tavares

Foto: Jack Vartoogian/Getty Images

Sara Tavares nasceu em Lisboa a 1 de fevereiro de 1978. Em 1994 vence o concurso televisivo “Chuva de Estrelas” e o Festival RTP da Canção. A partir de 1999 vai desenvolver a sua identidade musical a partir de elementos cabo-verdianos, com o álbum Mi Ba Bô. Nos anos seguintes vai editar novos discos: Balancê (2005), Xinti (2009) e Fitxadu (2017).

Considera-se uma cidadã do mundo, “vejo-me como pessoa filha deste tempo, que é criola por ser filha deste tempo”. A sua ligação com África é feita pela diáspora em Portugal. Aprende o criolo e práticas culturais cabo-verdianos que difunde nas suas músicas. Reúne à sua volta um grupo de músicos de diferentes sensibilidades, “que estão a trabalhar nas malhas desta renda lusófona”, considerando-as “pessoas que absorveram influencias e vivências várias e que estão mesmo neste processo de traduzir isso numa linguagem contemporânea que é própria e particular deles”.

Sara Tavares deixa-se levar pelo mundo interior, “acho que existe essa pátria interior em nós que é grande e que é vasta”. Esse é o mistério, “fonte de esperança” que a move e estimula, “essa vastidão de caminho para andar”. Sentimos isso ao ouvir canções como “Ponto de Luz” ou “Eu sei…”.

Ao falar do disco lançado em 2017, “Fitxadu”, recordou a expressão usada em Cabo Verde, “fitxadu na peito” que usou numa das suas canções. No refrão de uma das músicas desse CD, ela canta: “As coisas boas do mundo não têm corte. Estão fechadas no meu peito”.

Sara Tavares morreu no domingo passado, 19 de novembro, aos 45 anos. Mas as pessoas boas do mundo não desaparecem, permanecem no peito, no coração.