Um sinal de esperança e de vida

D.R.

Para além do elevado número de crentes que, diariamente, ali vão encontrar-se com Deus e participar na Eucaristia, creio que a Sé do Funchal é o monumento mais visitado da nossa Ilha. Mesmo aqueles que apenas dispõem de algumas horas na Madeira, não deixam de visitar a “Igreja Grande”, como inicialmente foi chamada pelos nossos antepassados. Admiram, sobretudo, os magníficos tectos mudejares, admiravelmente construídos em madeira e recentemente restaurados.

Trata-se, de facto, de uma obra de arte que não nos cansamos, também nós, de contemplar. Não apenas os tectos, mas todo o magnífico edifício para onde conflui a vida da cidade, sinal da fé que, de há 600 anos a esta parte, habita a nossa Ilha e dá vida ao seu povo. Podemos, por isso, dizer que a Sé constitui o sinal de um povo que tinha, decididamente, partido para “mares nunca dantes navegados” e que abraçava o diálogo com novas culturas, sem nunca esquecer a missão de lhes levar o Evangelho.

É por tudo isso que, quando contemplamos a magnífica obra de arte que é a nossa Catedral, somos invadidos pela esperança: afinal o ser humano não é apenas guerra e destruição. 

A capacidade de construir catedrais e tantas outras obras de arte que nos convidam a ir além do hoje, do aqui, do simples agrado do momento, da irritação e da zanga, mostra que é possível fazer nascer no coração humano realidades bem diferentes das que hoje parecem dominar este nosso mundo. 

É desta esperança que a nossa Sé é sinal: essa é a mensagem que todos os dias é proclamada bem no centro da nossa cidade, e que resume, de modo admirável, o nosso modo de ser e de viver.