Dia dos Pobres: D. Nuno Brás diz que nos devemos incomodar pela falta de condições dignas e pela falta de fé

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás presidiu ao fim da tarde de domingo, dia 14 de novembro, na igreja do Colégio, a uma Eucaristia com a qual se assinalou o VII Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco, em 2017.

No início da celebração, promovida pela Cáritas do Funchal e pelo Secretariado Diocesano da Ação Social, e concelebrada pelo Pe. Fernando Soares, D. Nuno Brás vincou que este era “um dia para nos deixarmos incomodar pela palavra de Deus e por esta realidade que, infelizmente, tão presente também entre nós de que muitos não têm o necessário para viver com a dignidade que lhes é devida”. 

A todos eles, o bispo diocesano deixou uma saudação alertando, no entanto, para a necessidade de continuar a chamar a atenção para esta realidade da pobreza que “está diante dos nossos olhos, de maneira que ela passe a estar também dentro do nosso coração”.

O prelado citou ainda que aquele que foi o lema escolhido para este dia pelo Papa Francisco «Nunca desvies os olhos de algum pobre», para logo pedir ao Senhor “pelas instituições da igreja que procuram ajudar os pobres e por todos nós para que estejamos sempre atentos à realidade dos pobres que vivem ao nosso lado”.

Já na homilia, o prelado explicou que neste dia “a palavra de Deus interroga-nos sobre como é que nós pomos a render os talentos que Deus nos deu”.

E o primeiro e maior talento que Deus nos deu, vincou, foi a vida. E nós não podemos por isso deixar de nos interrogar sobre o que é que estamos a fazer com a nossa vida.

“Existem vidas verdadeiramente inúteis, que não servem a ninguém, nem sequer ao próprio, gente que perdeu o sentido completo da existência, uns com muito dinheiro, outros sem ele”, frisou para sublinhar que é esta pobreza de vivermos sem saber porquê, sem pôr a render o nosso talento, que mais nos deve interrogar. 

D. Nuno Brás lembrou ainda que o Papa Francisco está sempre a lembrar que é a falta de trabalho que muitas vezes motiva a pobreza, não só por questões monetárias, mas em termos de realização do próprio e em termos de contributo também para a própria sociedade.

Depois temos também o talento da fé, que também é preciso pôr a render e partilhar com os outros. Um talento que nos permite “saber que Deus vive connosco, que está ao nosso lado e contarmos com isso” e como isso muda a nossa vida, que ganha “uma outra dimensão”. 

Quem não percebe isto, vincou, vive um outro tipo pobreza e tem de encontrar formas de acabar com ela.

Antes do fim da celebração, falou-se sobre o projeto chamado “10 Milhões de Estrelas”.

Nascido em França, em 1984, o projeto tem um objetivo muito prático que é ajudar quem precisa. Neste particular destina-se a ajudar “à sustentabilidade e também financiar um projeto internacional que este ano está relacionado com as alterações climáticas nos países lusófonos”.

Ao fundo da igreja, lá estavam as estrelas com as respetivas velas (brancas e vermelhas), que devem ser acesas na noite de Natal, junto ao Menino Jesus, num gesto de agradecimento e de suplica pela paz no mundo.