O Papa, um exemplo do perdão

D.R.

Todos sabemos que o Papa Francisco é tudo menos “bota de elástico”, “defensor do antigamente”, ou “energúmeno acéfalo”.

E, no entanto, todos vimos, com os nossos olhos ou através dos directos da televisão, o Papa Francisco sentado no confessionário a acolher e a confessar jovens, um a um, perdoando-lhes os pecados em nome de Deus.

Se o Papa pensasse que seria bem feito e possível, não tenhamos dúvidas que teria promovido uma enorme celebração penitencial, com absolvição coletiva. E teria algumas razões para o fazer. Afinal, quem poderia confessar milhão e meio de jovens? Mas não. O Papa (em Lisboa, tal como no Rio de Janeiro e em Cracóvia e em tantas outras situações) optou por dar o exemplo.

O exemplo aos jovens e o exemplo aos sacerdotes. Aos jovens, escutando a confissão dos seus pecados, pacientemente, acolhendo e oferecendo o perdão de Deus. O mesmo fizeram tantos sacerdotes que, pelas ruas de Lisboa paravam a sua caminhada para confessar jovens e adultos que o pediam. Exemplo para os sacerdotes, vincando como devem estar sempre disponíveis para atender os fiéis em confissão, e dando o exemplo de como apenas a confissão e absolvição individuais são, de facto, permitidas pela Igreja.

Com efeito, aqueles que legitimamente participam numa dessas absolvições colectivas (quer dizer: quando numa emergência a enorme quantidade de fiéis torna impossível que cada um confesse os seus pecados ao sacerdote) — mesmo esses, passada a situação de emergência, têm a obrigação de procurar um sacerdote para se confessar individualmente, logo que possível.

Façamos como o Papa Francisco, sigamos o seu exemplo em matéria tão importante como esta da confissão e do perdão dos pecados.