Externato de Sant’Ana celebra o 183º aniversário da Irmã Wilson

D.R.

Hoje, 3 de outubro, é dia de celebrar o 183º aniversário natalício da irmã Wilson, também conhecida como Irmã Maria de São Francisco, religiosa inglesa, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora das Vitórias.

Em todas as casas e escolas da congregação, certamente a data não irá passar despercebida. No Externato de Sant’Ana, em Machico, por exemplo, vai ser celebrada uma Eucaristia na capela deste estabelecimento de ensino.

A mesma, de acordo com a irmã Teresa Gomes, directora da escola, tem início agendado para as 11:15 horas, sendo presidida pelo Pe. Patricio Sousa, pároco do Piquinho.

Ao contrário de muitos outros momentos, em que a escola se abre aos pais/encarregados de educação, nesta ocasião apenas a comunidade escolar irá participar nesta celebração. Como noutras celebrações desta natureza não vai faltar um bolo e quem sabe não se vão cantar os parabéns para o céu, como sugeriu um dos alunos.

Das escolas criadas pela congregação, esta é uma das que foi fundada pela própria Irmã Wilson, embora não no espaço onde hoje funciona.

São estes e muitos outros pormenores que o Jornal da Madeira irá trazer até si numa outra peça, que está a ser preparada e que inclui não só entrevista com a diretora, como com docentes, auxiliares de educação e até algumas crianças do 4º Ano.

D.R.

Notas sobre a Irmã Wilson

Nascida na Índia em 1840, era filha do capitão Charles Wilson e Mary James, ambos ingleses, de família nobre e de religião anglicana. Ficou órfã de pais desde criança e foi cuidada pela tia Ellen na Inglaterra. O pai, antes de falecer, pediu à tia pelos dois filhos que deixava: “Educa os meus filhos para a eternidade”!

Ao atingir a idade adulta Mary “começou a ter muitas dúvidas sobre a sua fé e a sua religião, andou um tempo à procura de uma religião que a ajudasse a se realizar como cristã segundo as inquietações que trazia dentro de si. Buscou acompanhamento espiritual e encontrou um sacerdote redentorista que a ajudou”.

A última dúvida a ser vencida foi sobre a presença de Jesus na Eucaristia. A noite em que aceitou este dogma passou-a em tempestuosa oração, agarrada a uma pequena imagem de Nossa Senhora das Vitórias e rezou:

“Ó Virgem Maria, Mãe de Jesus e minha Mãe, vós que venceste todas as dificuldades e tanto sofrestes por amor do Vosso Divino Filho, Jesus Cristo, alcançai-me a graça de eu ser esclarecida se é verdade que Jesus Cristo vivo, está no Santíssimo Sacramento para que eu possa pertencer a Igreja católica. Não vos deixo esta noite, sem que me esclareçais”. 

O que se passou nem ela sabia explicar. O que apenas sabia dizer é que “despertou de um sono”. A noite escura findou e sentiu-se iluminada, sem uma única dúvida sobre as verdades da fé. Ela mesma escreveu em sua agenda: 30 de abril: “Recebi o dom da fé”. Deste modo, recebeu o batismo condicional e fez sua primeira comunhão a 11 de maio de 1873. Data em que se comemora a sua conversão ao catolicismo.

Mary fez-se enfermeira e por desígnio de Deus chegou à Ilha da Madeira, Portugal em 1881, acompanhando uma senhora doente que precisava fazer tratamento. Ao chegar Mary ficou encantada com a beleza da Ilha, mas o sofrimento de muitas pessoas desse lugar, tocou o seu grande coração.

De fato, havia muitos doentes, muitas crianças sem catequese e sem escola, muita pobreza humana e espiritual. Começou logo a fazer o bem. Sua obra de bem-fazer foi crescendo como um grão de mostarda lançado à terra…. Vendo que sozinha não podia com tamanha missão, foi ao Hospício D. Amélia pedir a umas Irmãs, uma menina trabalhadora, inteligente e de boas maneiras para lhe ajudar.

Foi-lhe “dada” Amélia Amaro de Sá que em breve faria 18 anos. E, apenas com essa jovem, Mary Wilson começou a Congregação. Assim escreveu na sua agenda: Amélia Amaro de Sá (Irmã Elisabeth) e Irmã Maria de São Francisco juntaram-se em 1884 para fundar a Congregação Franciscana de Nossa Senhora das Vitórias.

O título de Nossa Senhora das Vitórias evoca a pequena imagem da Virgem Maria, cuja intervenção maternal foi decisiva na sua conversão ao catolicismo. O nome Maria de São Francisco atesta a sua comunhão com o seráfico São Francisco de Assis. O nome de Elisabeth dado à Irmã Amélia parece honrar santa Isabel, rainha da Hungria, padroeira da Ordem Franciscana e notável pelo seu amor aos pobres.

Deste modo começou a Irmã Wilson a nossa Congregação, fazendo todo o bem possível, com beleza, dedicação e muita fé. Abriu várias frentes de missão em defesa da vida: hospitais, escolas e orfanatos, farmácias e um seminário para formar novos sacerdotes.

Onde havia uma necessidade ali estava Mary Wilson pronta para ajudar. Em 1907 teve a epidemia de varíola na Ilha da Madeira e a Irmã Wilson com as suas filhas não mediram esforços para combatê-la, mesmo colocando as suas vidas em risco, salvando muitas pessoas pela misericórdia de Deus.

Fez tanto bem ao povo da Madeira, que começou a ser chamada pelos madeirenses de Boa Mãe: Boa Mãe dos pobres, dos indefesos, dos órfãos, das crianças, dos doentes e infelizes.