Três crianças e um bebé sobreviveram à queda de um avião e a 40 dias na selva. Os quatro irmãos, com 13, 9 e 4 anos e o bebé com 11 meses, viajavam com a mãe na aeronave, quando o aparelho se despenhou na selva amazónica no sul da Colômbia, uma das regiões mais selvagens do mundo. O avião foi encontrado pela equipa de resgate duas semanas depois. O piloto, o co-piloto e a mãe destas crianças faleceram no local do acidente.
“Um exemplo de sobrevivência que ficará para a história (…) Foi a sabedoria das famílias indígenas, de viver na selva, que os salvaram” disse o presidente da Colômbia.
A irmã mais velha conseguiu manter em vida os seus irmãos, protegendo-os dos animais selvagens, do frio e da chuva.
Desde o seu desaparecimento, equipas de resgate montaram a “operação esperança”, composta por 160 militares e 70 indígenas, conhecedores profundos da selva. Mais de dez mil panfletos com instruções foram espalhados pela selva pela força aérea, assim como também garrafas de água e mantimentos.
O responsável pela operação de busca, ao informar aos jornalistas que as crianças tinham sido encontradas, disse: “Milagre, milagre, milagre… Hoje tivemos um dia mágico”.
Um especialista em cuidados da selva disse à BBC que a zona onde as crianças estavam pertence a uma parte da selva “escura, muito densa (…), uma área que não foi explorada”. No entanto, este professor universitário, considera que “a selva não era a ameaça: foi a própria selva que os salvou”. Para a cultura indígena há uma “ligação espiritual com a natureza”. Nesse sentido, a selva é vista como mãe. “É difícil entender isso, eu sei, mas é uma boa oportunidade para a sociedade, o ser humano, conhecer as diferentes visões de mundo que existem nos territórios”.
Nas comunidades indígenas, as crianças aprendem a sobreviver observando os pais, “a observação é essencial. Eles estão a aprender o que pode ser útil para eles e o que não é”.
























