Laurinda Andrade: A professora

D.R.

Neste sábado, 10 de junho, celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um estudo sobre as primeiras mulheres do jornalismo português nos Estados Unidos destacou o nome de uma pioneira muito particular, não só no campo da imprensa, mas sobretudo na educação. Trata-se de Laurinda Andrade, que em 1933 dirigiu o jornal “A Tribuna Portuguesa” (Newark, Nova Jérsia) (Comunication & Society, 2023, vol. 3). 

Esta açoriana, natural da Ilha Terceira, fundou o primeiro programa de Língua Portuguesa em escolas secundárias dos Estados Unidos. 

A história de vida de Laurinda Andrade é relatada na primeira pessoa, no livro autobiográfico “A porta aberta” (2021).

Aos dezassete anos, em maio de 1917, Laurinda, parte para os Estados Unidos sem morada de destino e sem nenhum contacto. Começou a trabalhar na fiação, mas logo adoeceu gravemente e foi internada. No quarto do hospital sentiu “uma nova dimensão de liberdade (…) já não me sentia perturbada ou ansiosa, mas pelo contrário inspirada por um desconhecido sentimento de certeza”. Nesse momento pensou nas palavras do Evangelho, “Procurai o reino de Deus e tudo o mais vos será concedido”. Quando se despediu do trabalho, disse que ia para a escola estudar para ser professora. Para as colegas, naquela idade “era até uma loucura tentar tal coisa”. 

Em 1927 concluiu o liceu de New Bedford. E agora? Porque não a Universidade? “É possível fazê-lo”, pensou. Em 1931 conclui com distinção o curso universitário. Depois de passar pelo jornal “A Tribuna Portuguesa”, foi trabalhar para o consulado de Nova Iorque como secretária do novo embaixador de Portugal. Nesses anos, em New Bedford, instalou-se uma campanha para introduzir o estudo da língua portuguesa no liceu. Lembraram-se de Laurinda. Não foi uma decisão fácil, pois agora encontrava-se numa posição privilegiada.  Depois de oito anos no consulado, iniciou as aulas de português no Liceu de New Bedford em 1942, com duas turmas. Dois anos mais tarde, já tinha seis turmas. Graças ao empenho e dedicação de Laurinda Andrade, estava lançado o português nas escolas secundárias americanas.