Festa do Espírito Santo

Foto: Duarte Gomes (Camacha, 2022)

Celebramos, neste domingo, a Solenidade de Pentecostes. Em Portugal, o culto popular ao Espírito Santo começou por iniciativa da Rainha Santa Isabel, na vila de Alenquer, no ano de 1321. 

“Principiavam as festas no Domingo de Páscoa da Ressurreição, com uma Procissão soleníssima, que chamam o Império” (Pe. Alberto Rei, 1753). Esta procissão era repetida todos os domingos até ao Pentecostes, conhecidos como as “sete domingas”. Nesses dias, juntavam-se as “folias, grupos de jovens que iam de porta em porta à casa das mordomas de Nossa Senhora cantar o cântico das Alvíssaras, inspirado no “Regina Coeli”. Entretanto recebeu também o nome de “Folia” a “alabarda”, “conjunto ternário das insígnias; a bandeira grande encarnada, com a pomba ao centro; a bandeira pequena, igualmente encarnada, por vezes com quadros amarelos, sem outra simbologia; e o ceptro, ou vara, com dois metros, no topo do qual se salienta a coroa com a sua pombinha; em terceiro lugar é o tocador do tambor, que fará o acompanhamento; e por fim, as loas que o grupo entoa em louvor do Divino” (J. Pinharanda Gomes, Cultos portugueses do Divino Espírito Santo. Theologica, 2001). O autor recorda que “folia” não significa boémia, mas alegria, “alegria pela festa do Divino”. Estes grupos, passeavam, ao som do tambor pelo povoado, agitando as bandeiras, “em sucessivas voltas em cima da cabeça”, era o “passeio da alabarda”.

Na véspera do Pentecostes toda a vila era cercada pela “candeia”, um cordão ou “rolo” de cera com fogo, símbolo do Espírito Santo. No domingo de Pentecostes fazia-se o vôdo ou bodo (palavra que deriva do latim: voto), em que as pessoas prometiam oferecer algo aos pobres. Muitas vezes o bodo era apenas de pão, que depois de benzido era distribuído pelos pobres.  

Escreve este historiador que a expansão do culto parte de Alenquer, “chegando às ilhas da Madeira (onde ainda se conservam motivos de culto” e aos Açores. (Gomes, 2001).

Na verdade, ao ler esta descrições antigas da festa do Espirito Santo, como não reconhecer nelas as raízes das nossas tradicionais visitas do Espírito Santo nos domingos de Páscoa; da bênção da “copa” ou do “bodo”; da distribuição do pão, e da coroa do imperador?