Estão hoje muito em voga nas livrarias os chamados livros de auto-ajuda. Um qualquer autor partilha com os leitores meia dúzia de regras que acha serem importantes para o sucesso na vida. Os leitores, por seu lado, se acharem sensatas aquelas sugestões, colocam (ou não) em prática os conselhos oferecidos. Daí o nome: “auto-ajuda”. Quer dizer: de facto, ninguém acompanha ninguém; ninguém ajuda ninguém. É o próprio que se ajuda a si mesmo a partir de uma seleção dos conselhos dados.
Facilmente achamos que os evangelhos são livros de auto-ajuda. Aliás, facilmente reduzimos os evangelhos aos conselhos de Jesus, do estilo “amai os vossos inimigos”; “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”… e tantos outros.
Quase parece que ser cristão é uma espécie de “auto-salvação” (ou, melhor até, de “auto-ajuda”): Jesus é o autor dos pensamentos, mas tudo se reduziria a sermos nós a salvar-nos. No fundo, gostávamos que tudo se reduzisse a algo que pudéssemos escolher, conforme nos agradasse.
Ora nada disto é assim. Ser cristão é aceitar que Jesus faz, de verdade, caminho connosco, ao nosso lado — talvez uma companhia por vezes incómoda, que não nos deixa parar, ficar contentes com o caminho percorrido, ou que não raras vezes corrige o caminho que gostávamos de percorrer. E Jesus não apenas caminha ao nosso lado: Ele salva-nos, porque, por nós mesmos, não seríamos capazes de vencer a morte, de sair do pântano do pecado.
Claro que à nossa liberdade toca a escolha constante e fundamental de acolher a mão salvadora que Jesus nos estende. Mas a salvação não é, de modo nenhum, algo que cada um possa construir. Não é uma auto-salvação. É uma oferta que recebemos, tal como Jesus nos oferece. É Jesus que se nos oferece!





















