O Divino Espírito Santo, nesta casa vai entrar…

Foto: Sílvio Mendes

Neste segundo domingo da Páscoa, após a missa da manhã, começam as visitas do Espírito Santo nas Ilhas da Madeira e Porto Santo. A visita pascal é um tempo de alegria e de festa para as famílias das paróquias da Diocese do Funchal, que acolhem esta visita com entusiasmo e expetativa. 

Os irmãos vestidos com opas vermelhas, percorrem as casas da freguesia, levando a bandeira, o pendão e a coroa do Divino Espírito Santo. Quando está presente, o pároco anuncia a ressurreição de Cristo, abençoando a família e a casa com água benta. Nesse momento, o pensamento muitas vezes escapa para os membros ausentes da família ou aqueles que já faleceram. Todos os anos, na visita do Espírito Santo, é deixado em cada casa um postal com uma oração. 

Depois da oração, há sempre tempo para alguns momentos de convívio com a partilha de broas, doces ou salgados. 

As saloias, vestidas com o traje típico e ornadas com fios de ouro, levam nos seus cestos de vimes, pétalas de flores que vão lançando. 

À entrada e saída das casas, estas meninas cantam quadras alusivas ao Divino Espírito, enquanto os músicos acompanham com o acordeão, o machete ou a viola:

– “O Divino Espírito Santo / nesta casa vai entrar / mandado p’lo Pai Eterno \ a família abençoar”.

– “Vinde Pai dos pobrezinhos /esta família abençoai / a grandes e pequeninos / vossas graças derramai”.

O termo “saloia” foi importado do território continental, no entanto, adquiriu na Madeira um sentido específico. Os estudos linguísticos permitiram apresentar a hipótese de que antigamente as saloias que acompanhavam as insígnias do Divino Espírito Santo “seriam jovens que transportavam pão, dando-o aos mais carenciados” (Helena Rebelo, Contributo para a definição de “saloia” no âmbito do património linguístico, 2019). 

“Simbolicamente, no plano cultural, as saloias madeirenses representam a natureza, a pureza, a ingenuidade, a beleza da inocência, a alegria e a grandeza da simplicidade na riqueza da partilha dos bens”, escreve a investigadora Helena Rebelo da Universidade da Maderia (In Utopia Global do Espírito Santo, vol. II, 2021, p. 141).