Patriarcado de Lisboa afasta quatro sacerdotes após recomendação da Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis

Patriarcado afasta quatro sacerdotes, após recomendação da Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis

Logótipo do Patriarcado de Lisboa

“O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, determinou o afastamento preventivo, também designado como proibição do exercício público do ministério, de quatro sacerdotes no ativo, recomendado pela Comissão Diocesana”, refere uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.

Em causa está a lista de cinco nomes entregue pela Comissão Independente (CI) para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja em Portugal a D. Manuel Clemente, no dia 3 de março, e posteriormente transmitida à Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, que tem como moderador o antigo procurador-geral da República José Souto Moura.

O comunicado sublinha que “não existe uma acusação formal a nenhum destes sacerdotes que, contudo, ficam assim afastados do exercício público do seu ministério, enquanto decorrem todas as diligências dos seus processos”.

“Os sacerdotes solicitaram a rápida busca da verdade e da justiça, abrindo-se agora a investigação prévia de cada um dos casos, que posteriormente será enviada ao Dicastério para a Doutrina da Fé”, acrescenta o comunicado.

O quinto nome referido pela CI é de um padre que também se encontra no ativo e “já tinha sido sujeito a medidas cautelares”.

O Patriarcado de Lisboa continua totalmente empenhado na procura da verdade, assente na tolerância zero e na transparência total em relação a qualquer situação de abuso de menores e adultos vulneráveis”.

A CI Portugal apresentou a 13 de fevereiro um relatório, no qual validou 512 testemunhos, apontando a um número de 4815 vítimas, entre 1950 e 2022, e entregou aos responsáveis católicos de Portugal uma lista com nomes de alegados abusadores, no dia 3 de março.

A 10 de março, o Patriarcado de Lisboa informou que D. Manuel Clemente tinha recebido uma lista com os nomes de cinco sacerdotes ainda no ativo, num total de 24 pessoas identificas como alegados abusadores.

“Destes 24 nomes, oito são de sacerdotes já falecidos, dois são sacerdotes doentes e retirados, três de sacerdotes sem qualquer nomeação, cinco são de sacerdotes no ativo, quatro são nomes desconhecidos, um dos nomes refere-se a um leigo e outro a um sacerdote que abandonou o sacerdócio”, assinalava a nota.

A lista foi entregue à Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis do Patriarcado de Lisboa, que solicitou à Comissão Independente dados complementares, visando “tornar possível a entrega ao cardeal-patriarca das recomendações que lhe permitam fundamentar a proibição do exercício público do ministério dos sacerdotes no ativo e assunção das devidas responsabilidades no apoio e respeito pela dignidade das vítimas”.

O Vaticano disponibiliza desde 2020 um “vade-mécum” para ajudar os bispos e responsáveis de institutos religiosos no tratamento de denúncias de abusos sexuais de menores.

OC

Na lista de 98 nomes anunciados pelas dioceses portuguesas, em comunicado ou através de declarações dos seus bispos, há um total de 36 pessoas já falecidas (35 padres e um leigo).No total, há 15 padres (13 no seguimento da análise da lista da CI, dois com medidas cautelares implementadas anteriormente)  e um leigo afastados preventivamente de funções.

O elenco inclui oito nomes que as dioceses não conseguiram identificar e dois remetidos para outra diocese, além de 12 sacerdotes sem cargos atribuídos.

Há ainda nove sacerdotes no ativo, sobre os quais se aguarda nova informação para decidir eventuais medidas a aplicar; quatro outros casos dizem respeito a padres ilibados, após processos canónicos e/ou civis.

As várias dioceses informaram que nove das situações identificadas foram alvo de tratamento civil e canónico, com vários resultados: arquivamento, aplicação de medidas disciplinares, pena de suspensão ou dispensa do ministério sacerdotal.

Os últimos dois nomes dizem respeito a leigos.