O número de vítimas mortais continua a aumentar na Síria e na Turquia, depois do sismo da passada segunda-feira, 6 de fevereiro. Uma semana de luta contra o tempo para resgatar milhares de pessoas que ficaram soterradas entre escombros. Não é possível imaginar a aflição e o sentimento de impotência diante de tamanha catástrofe.
No meio dos destroços, na cidade turca de Karamanmaras, epicentro do terramoto de magnitude 7.8, estava um homem sentado, imóvel, apesar da chuva e do frio, casaco cor de laranja, olhar distante. Um fotojornalista, correspondente da agência de notícias francesa AFP, que estava no local, viu que o homem de casaco cor de laranja o chamava. “Tira fotos da minha filha”, disse o homem com voz baixa e trémula. O pai, Mesut Hancer, em silenciosa dignidade, agarrava a mão da sua filha Irmak, de 15 anos. O pai queria que o mundo conhecesse a filha que perdeu a vida, quando o quarto onde dormia desabou.
Não puderam trocar muitas palavras, porque à sua volta todos estavam no máximo silêncio para poder ouvir a voz dos sobreviventes sob os destroços.
“Eu tinha lágrimas nos olhos. Fiquei tão triste. Dizia para comigo: Meu Deus que dor imensa”, referiu o fotojornalista Adem Altan.
Da Síria chegou o apelo da irmã portuguesa Maria Lúcia Ferreira, do mosteiro das Monjas da Unidade de Antioquia em Qara. Esta religiosa descreveu a situação dramática da população à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS). “As pessoas encontram-se na rua agora, ou sob os escombros, e milhares estão sem casa. Aqueles que as tinham construído depois da guerra, quando tantas habitações foram danificadas, agora está tudo destruído. Veem-se os prédios a cair, de alto a baixo, mesmo depois do tremor de terra, porque com a guerra e com o sismo, as paredes já não aguentam.”
Estas populações, em emergência humanitária, sem casa e sem pão, expostas a temperaturas muito baixas, precisam de todo o apoio possível.
























