Comentário Litúrgico da Missa do Parto (22 de dezembro 2022)

Ana conduz o seu filho Samuel ao Templo para oferecê-lo ao Senhor, em resposta ao voto que lhe fez. Na verdade, ela tinha prometida que se o Senhor pusesse fim à sua esterilidade e lhe desse um filho, essa criança ser-lhe-ia oferecida. Com o filho, Ana leva o necessário para oferecer um sacrifício no Templo de Silo. A este gesto, ela junta a sua palavra de gratidão e de louvor. A sua oração foi ouvida. O filho que lhe foi dado pertence agora ao Senhor. Por isso, a mãe entrega-o ao Templo fazendo de certo modo o dom da sua maternidade. O Senhor, que lhe tinha concedido o filho, destina-o a ser profeta e espera dele uma palavra de resposta a este chamamento. A gratidão pelos dons de Deus engrandece o coração humano. Ela é uma fonte de humanidade e de unidade na família e entre as famílias. Ela revela-nos a generosidade de coração. Ela é um sinal de fidelidade. Em geral, habituamo-nos a ser exigentes em relação aos outros mas esquecemos o que também recebemos deles. A gratidão é uma forma de sair de si, o reconhecimento de que crescemos conjuntamente no dom mútuo. A oração de louvor é um sinal de gratidão e ela constrói a nossa unidade na família e entre famílias, precisamente como família de Deus.

Capa

O Magnificat brota do encontro entre Maria e a sua prima Isabel. No encontro e graças à palavra de Isabel, Maria reconhece que a sua maternidade é um dom de Deus e faz dom de si mesma louvando o Senhor. A sua gratidão é a alegria de ser chamada por Deus. Uma alegria que ela partilha com o seu povo que é, em primeiro lugar, o destinatário da sua maternidade. A gratidão e o cântico de louvor avivam a memória. Por isso, a humilde serva assume a história do seu povo, como se partilhasse com ele a sua maternidade. A fidelidade de Deus mantém-se de geração em geração. Na sua justiça e sabedoria, Ele dispersa os soberbos, derruba os poderosos e exalta os humildes. Na sua misericórdia, Ele cumpre a promessa feita a Abraão e à sua descendência. No canto do Magnificat a memória ajuda a ler o presente e abre à esperança. O louvor é gratidão e intercessão ao mesmo tempo.

– A oração de Ana e de Maria anunciam a oração da Igreja feita de gratidão pelo dom de Deus – Jesus Cristo – oferenda se si mesma e de toda a humanidade como Corpo de Cristo, intercessão pelas necessidades dos homens e mulheres de cada tempo. A gratidão, a oferenda e a intercessão exprimem o dom da vida no seguimento de Jesus. O que damos a Deus aproxima-nos, faz-nos generosos e gratos com os outros porque pedimos uns pelos outros e uns com os outros.

– Promover o encontro para a oração é importante para as famílias e as comunidades cristãs. É assim que a Igreja se constrói.

– A oração comum beneficia a cada um e a todos: a cada um porque, para ser verdadeira, ela leva ao dom de si; a todos, porque a comunhão nasce da generosidade e da alegria pelo dom da vida, como Maria no Magnificat.

(In “Maria, Mãe da Vida” – Guião para as Missas do Parto 2022, Diocese do Funchal, pp. 30-32).